15 de janeiro de 2020

O conhecimento sobre os conceitos de Indústria 4.0 tem se tornado cada vez mais comum entre as empresas brasileiras nos últimos anos. O termo, que foi publicado pela primeira vez em 2011 pela VDI na Alemanha, é abstrato e engloba, de maneira resumida, todas as mudanças tecnológicas, organizacionais e culturais que promovam o fluxo ágil de informações ao longo das cadeias de valor.

No entanto, mesmo com a popularização do tema – com participação ativa da VDI-Brasil na difusão do assunto – o número de empresas que estão implementando ações para se enquadrarem ao conceito de Indústria 4.0 apresentou uma queda nos últimos dois anos. Esse resultado foi divulgado em um estudo realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP).

O levantamento contou com a participação de 417 empresas, sendo 296 pequenas (até 99 funcionários), 103 médias (100 a 499 funcionários) e 18 grandes (mais de 499 funcionários), e comparou os resultados de 2019 com outro estudo realizado em 2017.

A primeira pesquisa realizada pela FIESP identificou que 68% das empresas consultadas em 2017 já tinham ouvido falar em Indústria 4.0, já no ano passado esse número subiu para 75%. Em contrapartida, em relação às empresas que estão implementando ações de Indústria 4.0 a porcentagem caiu de 30% para 23% nestes dois anos.

O documento também mostrou que houve estagnação no investimento em Indústria 4.0, que permaneceu em 1,3% do faturamento no período, além de queda de 2% das ’empresas que se sentem preparadas para indústria’ (5% em 2017), 13% no tópico ‘têm feito progresso substancial nas ações de Indústria 4.0′(13% em 2017), e, por último, 18% em ‘infraestrutura de TI adequada para ações de Indústria 4.0 (18% em 2017).

Segundo a FIESP, a prioridade sobre indústria 4.0 para o país está entre alta e média apenas entre as grandes empresas, enquanto as PMEs avaliam como baixa devido às incertezas quanto à inserção nas cadeias produtivas e adaptação ao novo modelo, além das restrições financeiras impostas pela crise recente. Ao mesmo tempo, as empresas não se sentem preparadas para os novos desafios que apontam para questões financeiras, na falta de recursos próprios, na necessidade de uma linha de financiamento e na dificuldade de ter um retorno atrativo.

Mesmo com os avanços realizados no Brasil referente à Indústria 4.0, criando inclusive um plano de ação da Câmara Brasileira da Indústria 4.0, no qual a VDI-Brasil é uma das entidades que integram os grupos de trabalho, o significado aprofundado sobre todos os elementos e ações que compõem a Indústria 4.0 ainda não está totalmente claro para as empresas.

Das dificuldades elencadas para a implantação de Indústria 4.0, encontram-se a falta de recursos próprios, pouca clareza sobre relação custo-benefício e falta de capacitação da equipe. Além dos problemas, pelo lado externo, de custos elevados de implantação, pouco otimismo com o futuro e financiamento a taxas pouco atrativas.

Os pontos listados acima expressam que parte da indústria brasileira ainda confunde a implementação de Indústria 4.0 com a utilização de novas tecnologias e equipamentos de última geração, o que, na maioria das vezes, significa altos investimentos. Apesar da presença de novas ferramentas e termos como IoT, Blockchain, Big Data e outros, essa nova era vai muito além das máquinas; questões comportamentais, culturais e estruturais também têm papeis importantes nessa transição.

Com a análise do estudo divulgado, é possível deduzir que grande parte da indústria brasileira não possui ferramentas analíticas para elaborar um planejamento de transformação de acordo com a sua necessidade específica. Em 2020, a VDI-Brasil seguirá apoiando esse processo por meio da disseminação de manuais de boas-práticas elaborados na Alemanha.