16 de janeiro de 2020

Implementar mudanças significativas nas empresas não é uma tarefa simples. No contexto atual de Indústria 4.0, em que as mudanças tanto na cultura da organização quanto na produção e gestão têm um papel fundamental. Muitas empresas ainda esbarram em diversos problemas durante essa transição devido à falta de planejamento, metas claras e tangíveis, dentre outros fatores.

Por outro lado, quando é executada com um planejamento minucioso, por uma equipe de profissionais capacitados, os impactos são notáveis nos resultados da empresa. O projeto de eficiência energética realizado pela SCHOTT Flat Glass do Brasil é um caso que ilustra os efeitos que essas ações podem gerar nas organizações.

A SCHOTT é uma empresa alemã do ramo de fabricação de vidros especiais para aplicação em tecnologias para o mercado farmacêutico, de eletrônicos, óptica, fibra óptica, energia solar, transporte, entre outros. A SCHOTT Flat Glass, uma das divisões da empresas no Brasil, localizada em Indaiatuba-SP, atua no fornecimento de sistemas para painéis de vidro plano e curvo e para a fabricação de sistemas de cobertura de vidro para a indústria de refrigeração comercial.

Em parceria com o professor Pedro Magalhães, da Universidade Estadual Paulista de Guaratinguetá (UNESP) e com participação da VDI-Brasil, a SCHOTT Flat Glass do Brasil trabalhou na criação de um plano de eficiência energética que visa reduzir o consumo de energia, criar um mapeamento de gastos, e outras atividades.

A iniciativa mapeou 22 oportunidades de economia envolvendo água e energia elétrica, que incluem otimização de uso de compressores, utilização correta de fornos (fornos ociosos e backups) e de ar comprimido, otimização de fontes de consumo de água, além de questões de gestão, como renegociação de contratos – foi feito um novo contrato bianual com a fornecedora de energia – e mudança na tensão elétrica de 220v para 23800v, alterando o custo de transmissão.

Com as ações realizadas, foi possível elaborar um histórico de consumo por mês, por peça produzida e outros indicadores que mensuram a utilização e dão previsibilidade no custo de energia com base no volume planejado de produção. Esse tipo de documentação é importante para calcular métricas e também apresentar resultados à diretoria.

A cooperação entre empresa e universidade foi um fator positivo nesse projeto, com destaque para a formação de um especialista em eficiência energética que foi o responsável por liderar o processo. Bruno Barbieri, técnico em elétrica na empresa ficou encarregado de conduzir o projeto.

“Para se implementar uma iniciativa desse porte é ideal que o responsável conheça muito bem a planta da empresa, e o Bruno foi a pessoa certa pois ele já está na SCHOTT há vários anos ocupando cargos técnicos, portanto tem o conhecimento necessário referente à estrutura de equipamentos e máquinas” destaca o professor Pedro Magalhães.

Bruno Barbieri, atualmente, está em seu último ano de graduação em engenharia e reconhece essa cooperação como uma ótima oportunidade. “É muito bom para o minha jornada profissional ter a chance de aprender na prática e desenvolver um projeto desse com alguém que possui um vasto conhecimento sobre o assunto como o professor Pedro. Com certeza vai agregar muito para a minha formação e também para a empresa” ressalta Barbieri.

Também participaram do projeto o gerente de Lean, Tecnologia e Manutenção, Marcos Del Passo e o supervisor de manutenção e automação Luiz Felipe Zanini.

Entre os próximos passos estão a alteração de dinâmicas de produção, com o objetivo de evitar retrabalhos que impactam o consumo de energia e o incentivo à equipe em relação ao comprometimento com o projeto.

O professor Pedro Magalhães já havia atuado anteriormente em um projeto bem sucedido da, também alemã, BASF, confira o artigo sobre o caso. O projeto começou em 2016 para auxiliar a companhia a alcançar as metas globais de redução de 40% das emissões de gases de efeito estufa por tonelada de produto vendido até 2020, aumento de eficiência energética das fábricas da América do Sul em 7% até 2025, e introdução do sistema de gestão de energia (ISO 50001) nessas fábricas. Com as iniciativas de eficiência energética, a Basf espera garantir uma economia de 12 milhões de reais e diminuir a emissão de gases em 6.100 toneladas por ano.

A aproximação entre empresas e universidades com foco em resultados tangíveis é um dos principais objetivos da VDI-Brasil, realizada por meio do seu cluster iEngineer. Acesse nosso site para saber mais http://www.vdibrasil.com/.