Soluções inovadoras em energia VDI-Brasil

A demanda por energia não para de crescer e, muitas vezes, o recurso não é suficiente para atender a toda a população. Muitos países já investem e procuram formas para melhorar o armazenamento de energia. Para se ter uma ideia, no mundo desenvolvido mais de 1 bilhão de pessoas não têm acesso à eletricidade.

Outro fator preocupante é o de que grande parte do mundo ainda depende do petróleo, gás e carvão, combustíveis fósseis que podem gerar impactos sérios e irreversíveis às pessoas e ao ecossistema.

O grande desafio seria, justamente, ampliar a capacidade das energias renováveis como forma de atender a essa demanda. Mais do que isso, é preciso encontrar uma forma de armazenar energia e aumentar a produção de energia renovável de forma eficiente.

Nesse sentido, o armazenamento de energia por baterias, ou Energy Storage, é uma das tecnologias mais inovadoras, possibilitando diversas aplicações que tornam o sistema elétrico mais robusto e confiável.

Na Alemanha, o Centro Aeroespacial Alemão (DLR) quer transformar as usinas termoelétricas a carvão em enormes baterias. Para isso, os tanques de armazenamento de sal devem ser aquecidos com eletricidade excedente e o calor pode ser usado para gerar eletricidade em épocas de vento e sol.

O DLR trabalha em duas linhas na conversão de usinas termoelétricas a carvão em geradores de energia de emissão zero. Na primeira, executa com pesquisadores de instituições alemãs o Demonstrador Nacional para Armazenamento de Energia Isentrópico (NADINE) para armazenamento de metal líquido, que deve ser aquecido com excesso de eletricidade. Na segunda, sugere o uso de armazenamento do sal líquido.

Uma bateria para armazenamento indireto de energia é uma tecnologia que já vem sendo utilizada por diversas usinas de energia solar parabólica, principalmente na Espanha e EUA, para atravessar tempos sem sol.

Iniciativas no Brasil

Um projeto pioneiro da AES Tietê colocou o Brasil em um seleto grupo de países que dominam o armazenamento de energia por baterias. O projeto faz parte de um programa de pesquisa de desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e recebeu investimento de R$ 5,4 milhões. Com capacidade instalada de 161 kW, expansível para 1 MW, o sistema permite que o excedente de energia gerado seja armazenado e usado em outro momento.

Há, ainda, outras iniciativas na área de energia. O professor pesquisador da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Pedro Magalhães, trabalha na área de eficiência energética desde 2001 e tem casos muito bem-sucedidos de empresas nesse sentido.

Um de seus projetos recentes, que se tornou um case de sucesso, é o da alemã Basf. O projeto começou em 2016 para auxiliar a companhia a alcançar as metas globais de redução de 40% das emissões de gases efeito estufa por tonelada de produto vendido até 2020, aumento de eficiência energética das fábricas da América do Sul em 7% até 2025 e introdução do sistema de gestão de energia (ISO 50001) nessas fábricas. Com as iniciativas de eficiência energética, a Basf espera garantir uma economia de 12 milhões de reais de diminuir a emissão de gases em 6.100 toneladas por ano.

Agora, a Unesp está trabalhando em parceria com a VDI, com pesquisas de eficiência energética, para levar essa tecnologia a outras empresas, aproveitando a estrutura energética para modernizá-las, tornando-as mais sustentáveis. “Quando entramos em uma empresa para desenvolver esse projeto, montamos uma parceria de longo prazo. A ideia é ajudar os profissionais a estruturarem o setor dentro da empresa. Nós queremos, juntamente com a VDI-Brasil, levar esse conhecimento a outras empresas, ajudando-as nesse processo. Para isso é preciso aumentar a gestão do conhecimento, pois você só gerencia o que você mede, só mede o que você define e só define o que você conhece”, explica Pedro Magalhães.

Para oferecer boas soluções, é preciso analisar e conhecer a fundo o processo dessas empresas. “Com isso, torna-se possível desenvolver, em parceria, soluções técnicas e econômicas viáveis. Quando você investe em eficiência energética, diminui custos, aumenta a produtividade e ainda melhora o conhecimento e a gestão, então, a organização só tem a ganhar”, conta Pedro Magalhães.

Essa ainda é uma proposta embrionária, mas que tem muito a contribuir com as organizações de uma maneira geral, trazendo resultados bastante positivos e contribuindo para melhorar o acesso à eletricidade e reduzir os impactos causados pelos combustíveis hoje utilizados.