30 de maio de 2018

Ciência, Tecnologia e Inovação estão, hoje, diretamente conectadas a questões cada vez mais humanas, e a pluralidade cultural é o que ajuda as empresas a entenderem necessidades e propor ideias que beneficiarão a todos. Mas como levar a diversidade para a engenharia? Este foi o tema do 4º encontro do Cluster de Inclusão e Diversidade da VDI-Brasil, realizado em São Paulo no dia 15 de maio.

Conduzido pelo chairman do Cluster e presidente da Bayer, Theo van der Loo, o evento reuniu cerca de 30 executivos, engenheiros, profissionais de RH e estudantes e contou com a presença de Wilson Bricio, presidente da VDI-Brasil e ZF América do Sul; Mauricio Muramoto, Vice-Presidente da VDI-Brasil; Sueli Nascimento, líder no Brasil da Business Women Network da SAP; Rafaela Maccheroni, engenheira de Desenvolvimento de Produto na Mercedes Benz do Brasil; e Joyce Baena, sócia-diretora da La Gracia.

O grupo defende que inclusão e diversidade, além de serem necessidades humanitárias, se tornam estratégicas ao potencializar os processos de inovação nas organizações.

Para Mauricio Muramoto, que atuou entre outras posições, como Presidente da Continental, é preciso disseminar esta mensagem entre tomadores de decisão. “Muitos gestores na indústria não têm consciência do quanto a diversidade e inclusão pode agregar para a força inovadora das suas equipes de engenharia.”

Em 2016, uma pesquisa sobre os índices de diversidade de gênero e raça das lideranças, realizada pela McKinsey & Company com 366 grandes empresas dos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e América Latina, apontou que companhias com altos índices de diversidade de gênero e etnia têm 35% mais probabilidade de obter resultados financeiros acima da média do seu segmento do que empresas com baixos índices de diversidade.

Atualmente, muitas companhias já buscam alinhar seus discursos com ações que promovam times mais diversos e um ambiente cada vez mais inclusivo para atrair grandes talentos. A Mercedes-Benz do Brasil, que é uma das associadas à VDI-Brasil, foi um dos exemplos apresentados na reunião, assim como a SAP. Ambas já tiveram alguns de seus cases contados neste texto aqui no site.

Entretanto, práticas como essas não são tão simples de se implantar e devem envolver diversos setores. “Você precisa de persistência no tema. Insistir para incluir tais critérios em processos seletivos. Quem tem empatia pelo tema deve persistir”, afirmou Rafaela Maccheroni.

As lideranças tem um papel de extrema importância para a promoção da diversidade, seja ela de gênero, étnica, racial ou mesmo cognitiva, chamada também diversidade de pensamento.

Em um artigo publicado em março deste ano pela escola de negócios Insead, executivos apontam que a responsabilidade pelo desenvolvimento da diversidade depende de dois fatores essenciais: os sistemas educacionais e líderes ousados que entendam que não é fácil fazer com que pessoas diferentes trabalhem ou vivam juntas, mas que ainda assim acreditem que é possível.

O chairman Theo van der Loo, também atribui um papel de protagonista aos líderes empresarias nesse contexto. “O CEO da empresa tem que mostrar a todos os funcionários que preza pela diversidade e cobrar ações concretas”.

Apesar da solução parecer simples, dentro de áreas relacionadas à Tecnologia e Inovação, principalmente na engenharia, é um pouco mais complexo. A falta de diversidade começa ainda nas universidades, com o baixo número de estudantes mulheres, negros e pessoas com deficiências.

No Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) do ano passado, 72% das mil melhores notas eram de jovens do sexo masculino. No exames de Matemática e Ciências da Natureza a diferença ficou ainda maior.

Além da diferença de gênero, há ainda a racial. Das mil melhores notas do exame, apenas 221 foram de estudantes negros, sendo apenas 64 mulheres. E esses números se refletem depois nas profissões, principalmente nas ciências exatas como a engenharia.

No Brasil, apesar do número de número de mulheres credenciadas nas diferentes áreas da engenharia ter subido ainda há um grande abismo na diferença de gênero na área. De acordo com o Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia), 86% dos engenheiros do país ainda são homens, apenas 14% são mulheres.

“Temos ainda poucos exemplos para incentivar os jovens, mas acreditamos que a engenharia no Brasil possa se tornar uma referência global para inovação inclusiva. Nossa missão com esse cluster é influenciar pessoas, empresas e instituições a potencializarem a inovação através da inclusão e diversidade”, disse Bricio.

As reuniões do cluster de Inclusão e Diversidade acontecerão mensalmente, e terão como público-alvo pessoas que compartilhem do mesmo ideal de tornar a Engenharia no Brasil uma referência em inovação inclusiva. Participe, fique por dentro de todos os debates e contribua para tornar a engenharia mais inclusiva no Brasil.