O Dia da Engenharia Alemã, realizado em maio, teve como tema “IA – Utilizando a Inteligência Artificial de maneira inteligente”. Essa é um tecnologia em constante expansão, mas que ainda gera incertezas e receios na sociedade.

Na ocasião, com todos os temas abordados, ficou claro que a Alemanha possui um panorama favorável para a utilização de IA no mercado B2B, uma vez que a China e os Estados Unidos já dominam a tecnologia no mercado B2C e, nessa frente, não há espaço.

Foi neste evento que o Prof. dr. Dr. H. C Michael Ten Hompel, do Instituto Fraunhofer de Fluxo de Materiais e Logística, em Dortmund, afirmou que algumas soluções já estão sendo desenvolvidas na Alemanha, especialmente em logística, e já estão fazendo progressos. Em uma recente entrevista à VDI-Alemanha, o Prof. Dr. falou sobre a importância de se ter mais coragem e menos medo da perda de controle, os potenciais e as oportunidades da IA na Alemanha – e sobre aplicações concretas na logística.

“A ação empreendedora hoje exige mais do que nunca antecipar os desenvolvimentos, assumir riscos e primeiro perguntar sobre as oportunidades e não sobre o ‘retorno sobre o investimento’ garantido – caso contrário, você é simplesmente muito lento. A Inteligência Artificial (IA) como um campo da ciência da computação e o aprendizado de máquina, em particular como parte da IA, compreendem uma classe de algoritmos que permitem que os sistemas se adaptem de maneira direcionada, sem ter que ser propositalmente programados. Seu comportamento não é determinado e os resultados não são totalmente previsíveis. Novamente, isso é uma perda de controle que precisamos nos envolver se quisermos participar dos desenvolvimentos resultantes”, explana Ten Hompel.

Para que tudo isso seja possível, são necessários engenheiros bem treinados, que conheçam e compreendam todas as ferramentas, comunidades e tecnologias, e que sejam capazes de calcular e projetar rigorosamente os processos de desenvolvimento. É evidente que, por tentativa e erro, perde-se muito tempo, mas hoje, os novos modelos de negócios e produtos podem ser desenvolvidos de maneira muito mais ágeis do que há poucos anos atrás.

Em alguns casos, os ciclos de desenvolvimento duram apenas de quatro a seis semanas, com muitas coisas disponível para tais “sprints” por apenas alguns euros: de impressão 3D para um modelo até as bibliotecas de código aberto para tudo e todos. “Se você perceber que não consegue mais atingir seu objetivo de maneira significativa, interromperá o desenvolvimento logo após algumas semanas e poderá se dedicar à próxima chance. Hoje, podemos realizar mais rapidamente protótipos do que nos dão segurança de decisão do que calcular um retorno sobre o investimento sob suposições audaciosas”, comenta Ten Hompel.

A indústria alemã tem grande potencial para a Inteligência Artificial. A digitalização de todas as áreas da vida e da Inteligência Artificial mudará muitas coisas. Não é apenas o veículo autônomo ou o enxame de drones, ambos já realidade nos laboratórios de logística do Instituto Fraunhofer. Segundo o prof. Dr., “em um futuro próximo, será normal falar com uma prateleira via AI ou negociar com um contêiner. Esse desenvolvimento é muito mais rápido, porque já temos a tecnologia em nossas mãos e esperamos ganhos de eficiência muito altos da IA”.

Quando se tratar de novos modelos de negócios, o maior potencial do país está nos negócios B2B. No segmento de clientes privados (B2C), a oportunidade já foi perdida, mas a liderança do mercado logístico está apenas sendo decidida nas plataformas B2B. Essencialmente, trata-se de reunir possibilidades técnicas existentes em soluções de ponta a ponta. A introdução de uma solução Blockchain ou de um contêiner inteligente só faz sentido em pousos casos. O modelo de negócios completo de sensor para plataforma é crítico. ” Somente se usarmos nosso conhecimento de domínio em logística e produção corretamente, teremos uma chance séria”, afirma Ten Hompel.

Segundo o Banco Mundial, a Alemanha é campeã mundial de logística. Quatro, dos dez maiores do mundo em logística técnica vêm da Alemanha. A maior empresa de logística está situada em Bonn e o maior instituto em Dortmund.

“A situação inicial dificilmente poderia ser melhor, mas o tamanho por si só não o fará. Não basta investir alguns milhões aqui e ali, e assumir algumas startups. Pelo contrário, trata-se de conhecimento de domínio complexo na área de B2B e de entendimento do que está acontecendo nos EUA e na China. Estou convencido de que apenas teremos uma chance quando estabelecermos plataformas abertas e federais, e salas de dados, como os Espaços de Dados Internacionais. Isso permite que todas as empresas participem sem distribuir seus modelos de negócios ou dados. Só então chegaremos a padrões na prática – e isso será decisivo”, elucida Ten Hompel.

A logística, como a geometria, é totalmente algorítmica. As etapas do processo logístico individual são relativamente simples, mas os processos completos, as cadeias de suprimento e sua disposição, e otimização multicritério então entre os desafios mais completos na área. Isso faz da logística o playground ideal para algoritmos de Inteligência Artificial, desde contêineres inteligentes até veículos autônomos e plataformas de transporte. Ao mesmo tempo, o gerenciamento de logística requer conhecimento específico do domínio. Com essa vantagem de conhecimento e seus algoritmos, muitas empresas de logística ganham dinheiro.

Muitas coisas vão mudar nessa área com o avanço da IA. No fluxo fixo de material, enxames de veículos autônomos em breve substituirão partes da tecnologia clássica de manuseio de materiais. A embalagem individual, a montagem e até mesmo a colheita já declarada ainda são, por muitos anos, amplamente reservada para humanos e suas habilidades intelectuais e manuais. Nessas áreas, no entanto, novos ambientes de IA e sistemas de assistência aumentarão a segurança e a eficiência.

No virtual, a Inteligência Artificial Distribuída irá, entre outras coisas, negociar, dispor, apoiar decisões de planejamento e simular mercadorias e fluxos de tráfego. Além disso, a IA poderá calcular as rotas e analisar as mercadorias por câmera. Existe, ainda, um número infinito de outras aplicações.

No virtual, a Inteligência Artificial Distribuída irá, entre outras coisas, negociar, dispor, apoiar decisões de planejamento e simular mercadorias e fluxos de tráfego. Além disso, a AI calculará as rotas e analisará as mercadorias por câmera. Existe um número infinito de outras aplicações.

“O mundo não vai nos perguntar e não vai esperar por nós, mas vai virar tudo de cabeça para baixo – não apenas em logística. Fazemos bem em criar este novo mundo em que queremos viver. Se não o fizermos, as gerações futuras um dia se manterão no espelho de nossas falhas”, finaliza Ten Hompel.

No dia 23/10, a VDI-Brasil vai realizar o 11º Dia da Engenharia Brasil-Alemanha. Com o tema “Protagonismo e Agilidade para as Cadeias de Valor 4.0”, a VDI defende a necessidade de uma visão holística da Indústria 4.0, considerando todas as mudanças tecnológicas, organizacionais e culturais a fim de atingir a agilidade como seu elemento central.

A Alemanha já vislumbra ser líder no uso de plataformas de IA no mercado B2B, mas o Brasil ainda encontra uma série de barreiras como capacitação, regulação, financiamento e direito de propriedade. O painel 2 do evento, “Construindo cadeias digitais de valor no Brasil”, trará palestrantes renomados para evidenciar como o conceito da Indústria 4.0 prevê a integração horizontal das cadeias de valor como principal elemento de valor agregado. Para que isso se torne possível, todos os desafios do país precisam ser superados.

Saiba mais aqui: http://www.vdibrasil.com/eventos/dia-da-engenharia-2019/