A VDI-Brasil, em parceria com a Associação Brasileira de Educação em Engenharia (ABENGE) e com o Centro Universitário FEI, lançou a pesquisa “Engenheiros 4.0”. O objetivo é avaliar a formação dos engenheiros para a Indústria 4.0. A apresentação dos estudos comparativos Brasil-Alemanha sobre a formação do engenheiro 4.0 vai acontecer no Dia da Engenharia Brasil-Alemanha, que será no dia 23 de outubro, em São Paulo, e terá como tema central o “Protagonismo e Agilidade para as Cadeias de Valor 4.0”.  

Durante a Feira de Hannover Messe 2019, a VDI-Alemanha apresentou um estudo que visava capturar o status quo das estratégias adotadas pelas universidades alemãs frente ao desafio de adequar o ensino de engenharia à Indústria 4.0. De forma complementar com essa análise, a Associação Alemã de Fabricação de Máquinas e Instalações Industriais (VDMA) publicou, na mesma época, um estudo detalhando o perfil de demandas da indústria alemã em termos do perfil do engenheiro 4.0. 

A fim de exercer o papel de protagonista da transformação digital, é preciso capacitar os profissionais de engenharia no Brasil à altura dos projetos e repensar a formação de engenharia mundo afora. Para tanto, é preciso uma profunda análise dos desafios mais urgentes, bem como estratégias para se beneficiar de eventuais vantagens. 

Como aprender com a experiência de outros países para implementar o futuro da engenharia no Brasil hoje?  

A avaliação realizada no Brasil viabilizará uma análise detalhada de sinergias entre os sistemas de engenharia dos dois países frente a esse desafio comum e será utilizada para a elaboração de projetos bilaterais de colaboração. 

Gostaríamos de convidá-los a participar dessa pesquisa, nos ajudando a coletar dados suficientes para essa análise. Para respondê-la, acesse aqui: https://vdibrasil.typeform.com/to/Hqwoat  

Sobre o estudo na Alemanha  

O esforço coordenado da VDI e da VDMA na Alemanha tem com duas importantes frentes: “Demanda por novas competências” e “Estratégia de adaptação das Instituições de Ensino Superior (IES)”. 

No ponto de demandas por novas competências, os tópicos levantados são:  aprofundar a leitura da indústria quanto ao impacto de Indústria 4.0 para o perfil do engenheiro na empresa, e detectar diferenças setoriais e/ou de porte em relação ao perfil do engenheiro 4.0. Afinal, qual o perfil do engenheiro 4.0 que as empresas estão buscando hoje?  

Na questão da estratégia de adaptação das IES, os tópicos levantados são: detalhar estratégias e adaptação das IES frente ao desafio de formar engenheiros preparados a conduzir a transformação na indústria, e agregar percepção de diferentes públicos sobre a transformação das IES. Fica a pergunta: O que as IES estão fazendo hoje para adequar o ensino de engenharia?  

Estudo sobre a demanda da Indústria 

No estudo sobre a demanda da indústria, os resultados mostram que o perfil do engenheiro 4.0 inclui: 

  • Conhecimento sólido de disciplina clássica (mecânica, eletrônica, informática);
  • Competências metodológicas sólidas baseadas em teoria de sistemas;
  • Conhecimento básico em informática e ciência de dados;
  • Conhecimento contextual em outras disciplinas, como marketing e vendas, por exemplo;
  • Habilidades soft

 

Chegou-se à conclusão de que não se trata de uma simples conta de adição. É preciso buscar um mix ideal para a função a ser executada, que precisa ser adaptado, várias vezes, ao longo da carreira.  

 

 

Estudo sobre a realidade das Instituições de Ensino Superior (IES)

No estudo sobre a realidade das IES, os resultados mostram que de 20 a 29% das disciplinas já seguem conteúdos digitais. Apenas 14% das IES formalizaram a transformação digital em documentos oficiais de missão. 77% das IES não se consideram preparadas para questões jurídicas do uso industrial de dados.  

 

Conclui-se, portanto, que é preciso garantir cursos ágeis, individualizáveis e adaptáveis, considerando capacitação contínua na vida profissional, intensificar a interação com empresas que conseguiram conduzir o change process e criar sistemas de incentivo para combater a sensação de “lutar contra o sistema”. 

Com os resultados, as principais recomendações são:  

  • Tornar disciplinas com conteúdos digitais obrigatórias;
  • Definir o perfil de competências como processo contínuo;
  • Distribuir os recursos não apenas em função da importância atual da disciplina, mas também do grau de inovação;
  • Criar sistemas de incentivo financeiros em função da avaliação do ensino;
  • Considerar capacidade para inovar como critério na contratação de novos professores;
  • Definir a transformação digitalcomo política transversal das IES para eliminar os silos organizacionais; 
  • Buscar proximidade e cooperação com empresas que tenham implementado changeprocess com sucesso; 
  • Envolver o aluno como um stakeholder

Ajude a VDI-Brasil, juntamente com a Abenge e FEI, a reproduzir esse estudo no Brasil e avaliar da formação do engenheiro 4.0 hoje. Participe: https://vdibrasil.typeform.com/to/Hqwoat