A transformação digital está acontecendo em um ritmo vertiginoso, originando mudanças em todas as camadas da sociedade. Os avanços são evidentes, a cada dia que passa, uma infinidade de soluções são criadas com o objetivo de resolver problemas que, até então, não eram solucionáveis. Essa transformação influencia diretamente a estrutura atual do campo da engenharia, exigindo uma reestruturação nos modelos, que vão desde as bases das universidades, com a formação de futuros engenheiros, até a atuação no mercado de trabalho, com profissionais experientes.

Nesse pano de fundo, destaca-se o papel da nova geração de engenheiros, que em breve será a responsável por conduzir este processo em prol da sociedade como um todo. Dentre as características principais dessa nova classe de futuros profissionais está a busca constante por atualizações referentes às novas competências, indo além das atividades regularmente exigidas, para se inserirem em um cenário tecnológico e desafiador.

A média de idade dos alunos dos cursos de engenharia no Brasil é de 26,1 anos, segundo os dados do Censo INEP. O fato de essa nova geração ter vivenciado desde cedo a ascensão e popularização da Internet  – que foi a base para a concepção de novas ferramentas tecnológicas – ao mesmo tempo em que se inseriam cada vez mais em um mundo virtual, se adequando à conversão de elementos físicos para os ambientes digitais, faz com que o domínio dessas ferramentas sejam adquiridos de maneira mais rápida e natural, devido à familiaridade com a tecnologia.

A gama de oportunidades presentes na Indústria 4.0 é um fator que estimula o debate entre os estudantes sobre a metodologia atual de ensino dos cursos de engenharia. Se por um lado o setor passou por diversas transformações ao longo dos anos, também há um questionamento quanto à capacidade das universidades de acompanhar essas mudanças, com a ausência de disciplinas que preparem os alunos para essa nova realidade.

Em um estudo realizado pela VDI-Alemanha, que analisou as mudanças necessárias nas universidades para implementar o ensino de uma engenharia 4.0, foi identificado como um dos entraves no processo de preparação digital para a Indústria 4.0, a falta de domínio em ferramentas digitais por parte dos professores, somada à resistência dos docentes em mudar o conteúdo abordado. A pesquisa foi feita com mais de 700 estudantes alemães, dos quais 52% apontaram a questão dos professores como uma das principais barreiras.

Ao contrário dos professores, os estudantes apresentam uma grande disposição em mudarem o foco de estudo conforme o panorama ilustrado pela transformação digital. Entre os entrevistados, 80% dos alunos afirmam que mudariam a área de atuação devido à mudança de cenário.

Em relação às disciplinas aplicadas, os estudantes entrevistados afirmam que não estão sendo bem preparados para o mercado de trabalho nos campos de informática (55%), modelos de negócios (59%), segurança e propriedade de dados (75%) e impactos sociais e éticos (68%). Os dados são confirmados por jovens profissionais que atuam nas áreas de segurança de dados e impacto social, que confirmam sua importância no dia-a-dia na empresa, e percebem a lacuna em sua formação.

No entanto, essa limitação encontrada pelos estudantes no âmbito acadêmico tem motivado a procura por atividades extracurriculares que os capacitem nesse novo ambiente. A tecnologia também tem um papel importante nessa finalidade. A infinidade de conteúdos e oportunidades disponíveis em plataformas digitais, como cursos livres, projetos de empresas, intercâmbios e outras iniciativas ampliam os horizontes do estudante que busca se aprofundar em áreas específicas, mesmo fora da universidade.

Um grande exemplo de iniciativa que possibilitou a futuros engenheiros vivenciarem experiências construtivas foi o Projeto Connect #TeamVDI. Realizado em uma parceria da VDI-Brasil com a VDI-Alemanha, a atividade promoveu um intercâmbio cultural entre estudantes dos dois países com o objetivo de desenvolver uma solução para Segurança Alimentar. Foram selecionados cinco integrantes brasileiros, que passaram uma semana na Alemanha, em fevereiro desse ano, trabalhando em conjunto com uma equipe de estudantes alemã.

Para Jullian Harry, participante recém-formado em Engenharia de Produção, projetos como o Connect #TeamVDI são ótimas oportunidades para vivenciar situações que não acontecem no ambiente acadêmico. “Projetos de imersão de estudantes ou recém-graduados em problemas reais de empresas devem ser incentivados, pois trazem muitos benefícios aos participantes. Para mim, foi uma experiência muito rica e construtiva poder trabalhar em parceria com um time de outro país, com outras culturas, ainda mais se tratando de uma das principais potências no lançamento de novas tecnologias, como a Alemanha. Eu fico muito feliz de ter tido a chance de participar e tenho certeza de que ambos os lados aprenderam muito com esse projeto.”

Mas não é somente no desenvolvimento do setor industrial que a nova geração tem um papel fundamental. Grandes ações sociais e sustentáveis estão sendo realizadas ao redor do mundo por jovens estudantes de diferentes áreas, que exigem por mudanças que transformem o mundo em um lugar melhor para se viver. Não é raro de se ver jovens ativistas, como Malala Yousafzai, lutando por uma educação acessível a todos, principalmente às mulheres, ou então Greta Thunberg, com o Fridays for Future, mobilizando o mundo por questões ambientais.

O fato é de que essa nova geração não se limita aos meios tradicionais, mas sim cria seu próprio método para alcançar um objetivo. A criatividade se destaca como uma grande característica nesse sentido. Jullian ressalta, ainda, o papel de renovação da nova geração de profissionais. “Assim como as gerações que nos antecederam e as que ainda estão por vir, nós temos o papel de renovação. Na última década, avançamos tanto tecnologicamente que temos a missão de dominar essas ferramentas e implementar um mindset diferente. Estamos vendo, atualmente, as empresas se adaptando a essa geração, com muitas mudanças acontecendo, desde vestimenta até questões menos maleáveis. Esse é o papel desses novos profissionais: promover essas transformações de maneira positiva”, finaliza Harry.

No âmbito da engenharia, a VDI-Brasil é uma associação que promove diversos projetos com o intuito de estimular essa busca por conhecimento dos próximos engenheiros, contribuindo para equipar essa próxima geração com as ferramentas corretas, estimulando essa aspiração por inovar e criar soluções para um mundo mais diversificado, justo e sustentável.