Aconteceu na última terça -feira (26/03), em São Paulo, o Roadshow VDI: boas práticas alemãs para a Indústria 4.0, organizado pela Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha – VDI-Brasil, com o apoio da Associação Alemã de Fabricação de Máquinas e Instalações Industriais – VDMA. O evento foi realizado durante a Feira Internacional do Plástico e da Borracha, que teve início em 25/3 e vai até 29/3, na São Paulo Expo.

Reunindo duas das mais renomadas instituições alemãs no contexto da indústria 4.0, foram apresentadas as boas-práticas, documentadas em diretrizes oficiais. Abordando os principais fatores para a implementação de iniciativas de Indústria 4.0, presentes na diretriz VDI/VDE 4000, Johannes Klingberg, diretor executivo da VDI-Brasil, tratou sobre a importância de se basear em uma análise interna para realizar a transição da melhor maneira possível.

“Diferentemente do que se escuta em muitas discussões sobre o tema, Indústria 4.0, em sua essência, é um conceito de gestão que requer uma visão holística do uso de tecnologia digital por meio de ferramentas estratégicas, claras e padronizadas. Portanto, o primeiro passo deve ser o estabelecimento de um conceito coerente ao longo das cadeias de valor sobre o que é Indústria 4.0, reconhecendo onde a empresa está e onde ela quer chegar” afirma Johannes.

Um dos entraves para a criação de um planejamento estratégico, que tenha como objetivo aplicar as tecnologias presentes na Indústria 4.0, se dá no fato de que muitas empresas, em uma primeira abordagem sobre o tema, consideram esse processo como um projeto de T.I, restringindo o conceito à gestão de dados, e se frustrando com os resultados. Isso acontece tanto no Brasil, quanto na Alemanha. “No entanto, trata-se de um trabalho a longo prazo, que envolve toda a estrutura organizacional da empresa. Assim, é essencial a participação de todos os membros da organização, desde a gestão até o chão de fábrica”, continuou o executivo da VDI.

A diretriz VDI/VDE 4000, que está sendo elaborada na Alemanha por especialistas da indústria e da academia, e será lançada em junho deste ano, auxilia na análise estrutural da empresa, transformando-a em níveis de maturidade digital, que servem como base para iniciar o processo.

Demonstrando a aplicabilidade da diretriz, que estará disponível também no Brasil, após sua publicação oficial na Alemanha, o diretor geral da Valpri, Ivo Fernando Yoshida, abordou a questão da Indústria 4.0 para pequenas empresas nacionais. Yoshida utilizou o case da Valpri, empresa de embalagens flexíveis sediada em Campinas, para ilustrar os fatores que permitem que empresas menores adotem os princípios da Indústria 4.0.

A empresa trabalhou na combinação de dois pilares sinérgicos, que consistem na atualização tecnológica, por meio da participação no Programa de Gestão de Produção do Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT e na gestão de pessoas e introdução da cultura de inovação, com a consultoria do programa Agente Local de Inovação do SEBRAE. Yoshida afirma que esses foram os fatores fundamentais para a transformação digital na empresa. “A partir de nossa experiência, acreditamos que um caminho possível para que a Indústria 4.0 funcione nas MPE’s é a atualização tecnológica trazida por especialistas externos aliada ao desenvolvimento da cultura organizacional com princípios de inovação”.

Com os conhecimentos adquiridos por meio desses programas, foram diagnosticados problemas que implicavam no processo de produção, tal como soluções viáveis para resolvê-los. Com tecnologias de baixo custo, como RFID, foi possível identificar as causas dessas adversidades, gerando dados úteis para o estudo de melhores práticas.

Ainda durante o evento, de forma complementar à diretriz VDI/VDE 4000, o diretor técnico da VDMA Máquinas de Plástico e Borracha, Dr. Harald Weber, demonstrou a necessidade de se criar uma padronização para interfaces de máquinas do setor. Nesse sentido, o Dr. Weber tratou sobre as interfaces OPC UA (Plataforma Aberta de Comunicação – Arquitetura Unificada, sigla em inglês), um padrão para interconexão de troca de dados para o ambiente de automação industrial, para indústria de plástico e borracha, apresentando a diretriz EUROMAP 77. “Atualmente, nem todas as máquinas funcionam com OPC UA, portanto, ainda não têm capacidade de se comunicar entre si, não há interoperabilidade. Ter uma interface padronizada é um pré-requisito para eficiência do processo como um todo” afirma Dr. Weber.

Lançada em 2018, a EUROMAP 77 aborda os tópicos referentes à interface entre Máquinas Injetoras – IMM e Software para Gestão da Manufatura – MES para troca de dados, baseando-se em OPC UA. O objetivo da EM77 é fornecer uma interface única para IMM e MES de diferentes fabricantes para garantir a compatibilidade.

Para ilustrar os efeitos práticos da EUROMAP 77, foram apresentados cases de duas empresas multinacionais, a alemã ARBURG e a austríaca Wittmann Battenfeld. As palestras ‘Comunicação vertical na Indústria 4.0’ e ‘Wittmann 4.0 – Conectividade no Grupo Wittmann’, foram conduzidas pelo gerente técnico da ARBURG, Jeziel Oliveira e pelo diretor geral da Wittmann Battenfeld, Dr. Michael Wittmann, respectivamente.