12 de maio de 2021

Gerenciar uma empresa, mesmo em momentos seguros e de estabilidade, não é fácil. A situação se intensifica em situações de crise – como a pandemia de Covid-19 – em que o gestor precisa, mais do que nunca, exercer o seu papel de liderança para garantir o funcionamento da empresa. É preciso estar atento e bem informado para adaptar os processos às medidas de isolamento necessárias, sempre mantendo a comunicação clara e a coesão dos times.

Em uma situação como o atual cenário, o papel do gestor se torna ainda mais relevante. De modo geral, a equipe tende a precisar de uma postura mais ativa e acolhedora por parte do líder. Momentos assim podem fazer com que algumas pessoas se sintam perdidas e inseguras em relação ao seu trabalho. Acompanhar e se adaptar a essas mudanças é um desafio constante. O acolhimento e a empatia são importantes para que todos os membros da organização lidem bem com suas emoções. O gestor precisa ter inteligência emocional e segurança para tomar decisões repentinas em ambientes instáveis.

A indústria automotiva mundial, por exemplo, foi uma das mais impactadas pela pandemia da Covid-19 e, em menos de 3 meses, praticamente todas as fábricas entraram em lockdown. A área de Recursos Humanos também foi extremamente desafiada, tendo que adotar mudanças drásticas na forma de trabalho e na comunicação, como decretar férias coletivas em prazo mínimo, decidir por desligamentos imediatos, negociação sindical e implantação de protocolos para Covid-19.

A aceitação das novas formas de trabalho teve que ser imediata, o que gerou estresse em todos os níveis organizacionais por causa da rapidez e imprevisibilidade das mudanças. A falta de preparo, na infraestrutura das empresas e de costume para as pessoas, em relação  ao trabalho remoto e a baixa tecnologia das redes de internet nas residências são grandes desafios desse período.

A distância provocada pelas férias coletivas, home office e suspensões temporárias do vínculo empregatício levaram a um clima emocional de gestão difícil. As pessoas estão preocupadas, receosas com o futuro, vivendo sob distanciamento social e vivenciando os desafios da convivência familiar. As preocupações externas afetam diretamente a saúde mental e, consequentemente, refletem na  atuação durante o trabalho. Não surpreende que a ansiedade e a depressão estejam aparecendo mais frequentemente entre os colaboradores..

O estresse pode ficar crônico nas empresas e nas lideranças. A depressão já domina 15% das equipes e as condições atuais – teletrabalho, férias coletivas, demissões, convivência familiar diária, crianças sem aula – podem agravar o quadro. Algumas medidas de enfrentamento devem ser divididas em medidas de gestão das equipes e medidas de saúde e suporte emocional.

Por esse motivo, as empresas têm buscado formas inovadoras de realizar os negócios para não perder em competitividade, mas sem deixar de lado os padrões de comportamento e valores, que cada vez mais exercem influência nos resultados. Um desses modelos é a gestão baseada em valor, que tem representado mudanças consideráveis nas visões de negócio.

Basicamente, a gestão baseada em valor é uma metodologia que guia as tomadas de decisões em uma empresa, com o objetivo de gerar valor. Em outras palavras, esse método tem como principal finalidade auxiliar no desenvolvimento dos negócios, especialmente em longo prazo, visando dar competitividade às empresas.

A gestão baseada em valor envolve todos os níveis hierárquicos da empresa. Para tanto, é preciso que os gestores passem a ter o mindset voltado para a busca desse objetivo. Portanto, o principal aspecto da gestão baseada em valor é que ela é responsável por uma verdadeira mudança de cultura na empresa.

São vários os pilares que sustentam uma gestão baseada em valor. Para que sua empresa desenvolva uma estratégia que esteja alinhada aos objetivos do negócio, vale destacar os elementos a seguir:

Cultura corporativa

Um dos primeiros passos para o desenvolvimento de uma gestão baseada em valores é o estabelecimento de uma cultura corporativa que guiará os processos do negócio. Esses princípios vão orientar as estratégias, os processos de cada setor e as tomadas de decisões da empresa. Nesse sentido, o papel das lideranças é replicar e engajar as equipes nesses valores. Assim, é possível que os colaboradores desenvolvam posturas e práticas baseadas nessa cultura.

Incentivo ao desenvolvimento profissional

Outro fator importante para que a gestão baseada em valor seja bem-sucedida é o investimento no desenvolvimento profissional dos colaboradores. A empresa deve incentivar os profissionais a adquirirem e aperfeiçoarem competências ligadas às atividades do negócio. A ideia é estimular esses profissionais para que estejam cada vez mais aptos a lidarem com as constantes transformações do mercado.

Avaliação de desempenho

Para completar, a gestão baseada em valor demanda a realização de avaliações de desempenho regularmente, buscando sempre o desenvolvimento dos profissionais. O objetivo é ter uma estratégia para acompanhamento contínuo no desenvolvimento dos colaboradores. A partir dessas análises é possível melhorar a performance das equipes, e a empresa só tem a ganhar em competitividade e longevidade do negócio.

Por fim, a gestão baseada em valor garantirá que toda a empresa e também os parceiros envolvidos no negócio participem de mudanças positivas. A empresa ganhará em competitividade, levando em consideração a cultura organizacional e os seus valores.

Nesse tempo atípico que o mundo tem passado, é preciso se reinventar cada vez mais para a sobrevivência do bem estar social, principalmente nas organizações. Dessa forma, a gestão de valor corrobora significativamente para o desempenho da função dos gestores nas empresas.