19 de abril de 2022

O cimento é um dos materiais mais utilizados pelo homem, para se ter uma noção da sua importância, ele só perde para a água como recurso mais utilizado no planeta. No entanto, sua forte presença ajudando a moldar construções, também tem um efeito colateral sobre o clima. Seu processo de produção é visto como uma gigantesca fonte de dióxido de carbono (CO2) – um dos gases responsáveis pelo aquecimento global. 

Segundo o instituto de pesquisa britânico Chatham House, o cimento é fonte de aproximadamente 8% das emissões mundiais de CO2. Em outra comparação, suas emissões superam as do combustível de aviação (2,5%) e não estão muito atrás das geradas pelo agronegócio global (12%). 

Para que o Acordo de Paris – compromisso mundial para reduzir o aquecimento global – seja cumprido, as emissões anuais do cimento deverão ser reduzidas em, pelo menos, 16% até 2030.

Em um projeto piloto para a produção de cimento neutro para o clima, uma planta da empresa Rohrdorf, na Alemanha, está programada para entrar em operação em um futuro próximo. Cerca de 1.8 mil litros de produtos químicos úteis podem ser produzidos a partir dela.

O projeto foi iniciado para explorar as possibilidades de separar o dióxido de carbono e, assim, realizar a produção de cimento ecológico. Ela capturará duas toneladas de dióxido de carbono por dia, que serão utilizadas na indústria química regional. 

 

Planta piloto sob medida para produção de cimento

As condições técnicas, qualitativas e econômicas para captura e conversão de CO2 já estão sendo testadas na planta piloto. Até agora, existem apenas valores empíricos de sistemas de separação que são usados ​​na geração de energia a carvão.

Uma vez que o processo de captura de CO2 tenha sido testado adequadamente, os engenheiros e projetistas da Rohrdorf expandirão a planta para produzir ácido fórmico, um produto químico versátil, a partir do dióxido de carbono capturado. 

Cerca de 1.8 mil litros de ácido fórmico poderão ser obtidos a partir das duas toneladas de CO2 que são captadas na planta a cada dia. O ácido será entregue às fábricas químicas da região e servirá de base para produtos como agentes de limpeza, desinfecção e descongelamento. Dependendo do grau de pureza, o CO2 obtido também poderá ser utilizado na indústria alimentícia, por exemplo, para a carbonatação de água mineral.

 

CO2 como fonte de carbono para a transição energética

Os resultados do projeto-piloto são um passo importante para atingir a meta da indústria cimenteira alemã de produzir cimento neutro até 2050. De acordo com a indústria, o cimento será produzido na unidade em 2022 com 45% menos CO2 se comparado ao ano de 1990. Uma redução de 65% deve ser alcançada até 2030. 

A captura de dióxido de carbono é também um importante contribuinte para a transição energética. Ao ligar as indústrias química e cimenteira, o carbono capturado e convertido pretende substituir, a médio prazo, o petróleo e o gás natural na indústria química, constituindo assim o ponto de partida para uma economia circular.

 

De material problemático a material valioso

“Temos que começar a ver o dióxido de carbono como um recurso em vez de um problema”, diz o Dr. Helmut Leibinger, Chefe de Engenharia de Plantas e Processos da Rohrdorfer. “Com o CO2 como fonte de carbono, a Alemanha pode proteger o clima e, ao mesmo tempo, tornar-se menos dependente do petróleo e do gás natural. Além disso, há criação de valor e, portanto, os empregos permanecem no país”, complementa, Dr. Leininger.