15 de dezembro de 2021

Para colocar o engenheiro como protagonista de grandes mudanças, como a necessidade de ganho de produtividade, as questões climáticas, desigualdade social e outros pontos importantes, é essencial que o Brasil busque parcerias com outros países, em especial da Alemanha, uma das grandes potências de engenharia no mundo. A combinação entre gestão alemã e conhecimento brasileiro costuma gerar resultados positivos e permanentes no Brasil e têm acelerado a entrada de empresas brasileiras na Indústria 4.0.

A indústria alemã emprega diretamente cerca de 250 mil pessoas somente no país. O Brasil é, sem dúvida, muito atraente para a indústria alemã, principalmente por ser um país que possui clima favorável, extensão privilegiada, qualidade de recursos naturais e mão de obra.

Um exemplo dessa parceria Brasil-Alemanha é a iniciativa do SENAI, que inaugurou 25 centros de inovação em 12 estados brasileiros, em parceria com a Sociedade Fraunhofer, da Alemanha, e com investimento de cerca de R$ 3 bilhões em financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os centros são locais que aliam conhecimento e empresas dos dois países para desenvolver novos produtos.

Parcerias entre Brasil e Alemanha como a vista nos centros de inovação do SENAI são fundamentais para estreitar laços e para que ambos os países busquem novos mercados. O tamanho do mercado e a capacidade de produção industrial e científica do Brasil explicam o interesse alemão no país, que é o principal parceiro comercial da Alemanha na América Latina. 

A parceria do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) com a Agência Aeroespacial Alemã (DLR – Deutsches Zentrum für Luft-und Raumfahrt) é outro exemplo de sucesso binacional desde 1969. Dentre os frutos desta relação, destaca-se o veículo suborbital VSB-30, que realizou 31 lançamentos em diversas localidades, que cumpriram a missão espacial do veículo.

A parceria com a DLR permite ao Brasil participar do Programa Suborbital Europeu, além de manter a capacitação técnica na área de desenvolvimento de veículos suborbitais, bem como o transbordamento de conhecimento para realização e suporte das missões espaciais brasileiras.

Além disso, com base na necessidade da elaboração de propostas focadas em segurança alimentar, a VDI-Brasil, em parceria com a VDI-Alemanha, realizou o Connect #TeamVDI: Food Security. A iniciativa selecionou um time de cinco estudantes de engenharia do Brasil com a missão de criar um projeto internacional de segurança alimentar, em colaboração com outros cinco membros selecionados pela VDI-Alemanha. Os jovens contemplados receberam uma estrutura básica de atividades, a qual tiveram independência e autonomia para planejar e organizar o trabalho no projeto, visando a desenvolver melhores perspectivas para o futuro.

Durante o 11º Dia da Engenharia Brasil-Alemanha, realizado em 2019, os membros do Connect #TeamVDI apresentaram o resultado do trabalho de cooperação realizados nos doze meses. Os participantes contaram suas experiências em relação às barreiras linguísticas e culturais e disseram como superaram esses obstáculos para trabalhar em conjunto. O resultado do projeto foi um protótipo com foco em vertical farming para uso doméstico.

Tamanho o sucesso do projeto, uma nova edição está em desenvolvimento para inicio de 2022 e contará com o tema monitoramento geográfico, e inspeção aéreo eficiente, econômico e seguro por meio de drones (aeronaves não tripuláveis), para aplicação em diferentes setores, seja na agricultura, indústria, meio ambiente, parques eólicos, solares e de usinas, construção civil, mineração e outras áreas. O projeto conta com o desenvolvimento de uma plataforma inteligente de processamento de imagens que utiliza visão computacional e inteligência artificial, e internet das coisas para monitorar e inspecionar diferentes áreas. Sem contar o treinamento da equipe em projetos interculturais. Quer saber mais? Entre em contato conosco.

 

Engenheiro brasileiro x engenheiro alemão

Características inerentes à formação do engenheiro incluem flexibilidade, criatividade, organização, capacidade de solucionar problemas e adaptabilidade aos mercados locais. Mais do que isso, o profissional com perfil para atuar na carreira de gestão precisa ser visionário, ter iniciativa e, acima de tudo, ser ético. Apesar das diferenças entre os perfis profissionais, ambos se completam, por isso um time de engenheiros alemães e brasileiros para trabalhar por um mesmo objetivo, é imbatível.

No décimo episódio da série VDI CEO Cast, Pablo Fava, CEO da SIEMENS, entre diversos assuntos, discutiu acerca das diferenças entre a engenharia brasileira e a engenharia alemã. Pablo afirmou que segundo sua perspectiva e experiência profissional nos dois países, a principal característica do engenheiro alemão é o fato dele ser mais centrado e norteado rumo ao que quer, isso se dá porque a engenharia alemã é mais ambientada e orientada para aplicação efetiva do seu conhecimento, visto que o setor empresarial está muito mais envolvido com as universidades na Alemanha do que no Brasil. 

Já por outro lado, ele explica que a principal característica do engenheiro brasileiro é sua habilidade de ver o todo da situação, é um profissional mais solícito, mais flexível e adaptável a cada situação, mesmo tendo menos oportunidades de trabalhar em uma engenharia aplicada. Por isso, a principal diferença entre as duas engenharias é o fato de que na Alemanha a engenharia tem mais enfoque na pesquisa e desenvolvimento. No Brasil ainda faltam mais iniciativas que unam a pesquisa em engenharia aos problemas reais dos setores empresariais. 

Confira o episódio completo: https://www.youtube.com/watch?v=-uUtsLVHpdw&t=2341s