A desigualdade entre gêneros no ambiente corporativo é um tema frequentemente discutido no mundo todo. Termos como “Gender Pay Gap” (lacuna de pagamento entre gêneros) expressam que, apesar do avanço da luta das mulheres por uma sociedade mais igualitária, ainda há um cenário parcial nas empresas em que o tratamento entre os gêneros não é feito de maneira justa.

Segundo uma pesquisa realizada pela empresa de software e dados de remuneração PayScale, nos Estados Unidos, a mulher recebe apenas US $ 0,79 para cada dólar que os homens ganham. No Brasil o assunto não é diferente; por aqui a mulher também recebe um salário menor, ainda que esteja desempenhando a mesma função que um homem. Há diversos estudos que comprovam esse fato.

Alguns estereótipos sem fundamento são impostos sobre a presença feminina nas empresas. Tais preconceitos, sem nenhuma base, criaram uma figura equivocada de que as mulheres são mais frágeis, possuem menos controle emocional e nunca irão priorizar o trabalho por conta da maternidade ou outros fatores, e, por isso, não recebem os mesmos salários que os homens.

Mesmo com todas as dificuldades existentes, as mulheres estão assumindo, cada vez mais, posições de destaque no mercado de trabalho, inclusive em startups. De acordo com uma pesquisa realizada pela Rede Mulher Empreendedora (RME), em 2016, entre as quase 1.400 mulheres entrevistadas, 85% são empreendedoras e 15% pensam em empreender.

No entanto, os números ainda comprovam a baixa participação feminina no empreendedorismo. A Associação Brasileira de Startups (ABStartups) mapeou mais de 12 mil empreendimentos e verificou que 84,3% dos empreendedores são do sexo masculino, contra 15,7% do sexo feminino. A falta de captação de recursos, autoconfiança e incentivo para a entrada no mercado de tecnologia continuam como desafios para que essa porcentagem aumente.

O setor com maior presença feminina é o de startups do setor jurídico (legaltechs), com 25% de mulheres sócias. O último colocado é o de startups do setor financeiro (fintechs), com 11%. Mesmo assim, está, justamente, em uma fintech a única mulher fundadora entre os nove unicórnios brasileiros: Cristina Junqueira, do Nubank. Unicórnio é o nome dado às startups com avaliação de mercado de um bilhão de dólares ou mais.

Um estudo realizado pela empresa de análise e pesquisa DDI World, em parceria com a Ernst & Young, que analisou dados de mais de 2,4 mil empresas de 54 países, identificou que, em empresas com 30% de diversidade de gênero, e mais de 20% no nível sênior, os resultados financeiros são melhores.

Um dos principais desafios para as empreendedoras está em confrontar o olhar dos investidores, que também parte de um mercado, em sua maioria, masculino. Outro obstáculo está em fazê-las se enxergarem como donas de uma startup ou como boas profissionais, desconstruindo o estereótipo criado erroneamente.

Sabendo da importância do tema, algumas empresas promovem iniciativas para discutir a liderança feminina entre mulheres que já são ou querem ocupar posições de destaque. No final de 2019, a Microsoft lançou o fundo Women Entrepreneurship, que está fazendo aporte em 25 startups com mulheres sócias neste e nos próximos quatro anos. O projeto nasce com um capital de R$ 50 milhões, mas com o potencial de chegar a R$ 100 milhões. A iniciativa surgiu a partir do estudo sobre fortalezas e fraquezas do fomento ao empreendedorismo feminino e sobre quais são os melhores ecossistemas para mulheres fundadoras de startups.

 

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