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Gestão de pessoas na indústria em 2026: tendências do relatório GPTW 

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A gestão de pessoas no setor industrial atravessa uma fase de transformação marcada pela convergência entre tecnologia, cultura organizacional e bem-estar no trabalho. Em um cenário de digitalização acelerada dos processos produtivos e crescente demanda por profissionais qualificados, as empresas enfrentam o desafio de equilibrar inovação tecnológica com estratégias eficazes de desenvolvimento humano. 

De acordo com o Relatório Tendências em Gestão de Pessoas 2026, publicado pela Great Place to Work (GPTW), as organizações estão cada vez mais orientadas por decisões baseadas em dados e enfrentam um ambiente corporativo mais cauteloso, competitivo e focado em resultados.  

O estudo, que chegou à sua oitava edição, analisa tendências estruturais da gestão de pessoas a partir da escuta sistemática de empresas e colaboradores, consolidando um panorama sobre os principais desafios enfrentados pelas organizações no Brasil e na América Latina.  

Liderança e qualificação: os principais desafios organizacionais 

Entre os desafios mais relevantes identificados pelo relatório, o desenvolvimento de lideranças aparece como a prioridade central das organizações. 

Segundo o GPTW, a liderança permanece como o principal foco estratégico da gestão de pessoas, tendência observada de forma consistente ao longo dos últimos anos.  

A pesquisa também aponta que as empresas buscam cada vez mais líderes capazes de combinar entrega de resultados, comunicação eficiente e resiliência emocional, competências consideradas essenciais em um ambiente corporativo caracterizado por mudanças rápidas e alto nível de incerteza.  

Outro ponto crítico identificado é a escassez de profissionais qualificados. De acordo com o levantamento, a dificuldade para preencher vagas continua elevada, refletindo um mercado de trabalho mais seletivo e competitivo.  

Esse cenário reforça um desafio estrutural para a indústria: a necessidade de alinhar desenvolvimento de competências técnicas com a formação de lideranças capazes de conduzir equipes em ambientes produtivos cada vez mais digitalizados. 

Cultura organizacional e engajamento 

Além da qualificação técnica, a capacidade de engajar equipes tornou-se um fator decisivo para a competitividade das organizações. 

De acordo com o relatório do GPTW, 69,3% das empresas afirmam ter equipes engajadas, porém apenas 11% consideram que seus colaboradores estão altamente engajados, o que indica espaço significativo para melhorias nas práticas de gestão.  

O estudo também aponta um crescimento no turnover voluntário, observado em cerca de 39,2% das organizações, sinalizando que muitas empresas enfrentam dificuldades para reter profissionais qualificados em um mercado cada vez mais dinâmico.  

Para a indústria, essa questão ganha relevância adicional. Ambientes produtivos complexos dependem de equipes altamente capacitadas e com conhecimento acumulado sobre processos técnicos. A perda desses profissionais pode impactar diretamente produtividade, inovação e segurança operacional. 

Saúde mental como política organizacional 

Outro aspecto relevante identificado pela pesquisa é a evolução da agenda de saúde mental no ambiente corporativo. 

Segundo o GPTW, 98,1% das empresas consideram o tema importante, e o monitoramento de riscos psicossociais nas organizações tem crescido de forma significativa, impulsionado por mudanças regulatórias e pelo amadurecimento das práticas de gestão.  

Entre os fatores que contribuem para essa evolução está a ampliação do debate sobre saúde ocupacional após a pandemia e o fortalecimento de regulamentações como a NR-01, que passou a enfatizar a gestão estruturada de riscos psicossociais nas empresas. 

De acordo com especialistas em gestão organizacional, a tendência é que o bem-estar psicológico seja cada vez mais tratado de forma semelhante à segurança física no ambiente industrial, com métricas, protocolos e responsabilidades claras dentro das organizações. 

ESG e sustentabilidade na agenda corporativa 

A agenda ESG também aparece no relatório como um tema relevante, embora com menor protagonismo imediato dentro das prioridades organizacionais. 

Segundo o GPTW, apenas 5,8% das empresas apontam ESG como prioridade direta, embora uma parcela significativa das organizações reconheça o valor estratégico da sustentabilidade para a longevidade dos negócios.  

De acordo com o levantamento, 42,5% das empresas consideram a sustentabilidade essencial para a perenidade organizacional, enquanto outras enxergam valor no ESG em aspectos como reputação corporativa, inovação e vantagem competitiva.  

Para o setor industrial, a integração entre ESG e gestão de pessoas tende a ganhar relevância à medida que práticas sustentáveis passam a influenciar diretamente a atração de talentos, a relação com investidores e a competitividade internacional das empresas. 

Inteligência artificial e qualificação digital 

A transformação digital também tem impactado diretamente a forma como as organizações desenvolvem suas equipes. 

Segundo o GPTW, a inteligência artificial vem ampliando sua presença em diferentes áreas corporativas, especialmente em processos como recrutamento e seleção, análise de clima organizacional e programas de capacitação.  

Esse movimento reflete uma mudança estrutural na gestão de pessoas: a tecnologia passa a atuar como suporte à tomada de decisão, permitindo análises mais precisas sobre desempenho, engajamento e desenvolvimento de competências. 

Para o ambiente industrial, esse cenário indica que o avanço da automação e da IA tende a exigir um novo perfil profissional, com maior capacidade analítica, domínio tecnológico e habilidades de resolução de problemas complexos. 

Nesse contexto, ganha relevância o conceito de upskilling e reskilling, voltado à requalificação contínua da força de trabalho industrial. 

Saiba mais sobre upskilling no artigo: O futuro da indústria depende de Upskilling e Reskilling   

Conclusão: a centralidade das pessoas na indústria do futuro 

Os dados apresentados pelo relatório do GPTW indicam que a competitividade industrial dependerá cada vez mais da capacidade das organizações de integrar tecnologia, cultura organizacional e desenvolvimento humano. 

Nesse cenário, três tendências se destacam: 

  • A primeira é a institucionalização da saúde mental como parte da gestão organizacional, com práticas estruturadas de prevenção e monitoramento alinhadas às regulamentações trabalhistas. 
  • A segunda é o fortalecimento da liderança híbrida, capaz de combinar domínio técnico, visão estratégica e habilidades de gestão de pessoas, competência que se torna decisiva em ambientes produtivos cada vez mais complexos. 
  • Por fim, a inteligência artificial surge como um importante vetor de produtividade, permitindo que sistemas automatizados assumam tarefas operacionais enquanto profissionais se concentram em atividades de supervisão, análise e melhoria contínua dos processos. 

Nesse modelo, tecnologia e capital humano deixam de ser elementos separados e passam a atuar de forma complementar, consolidando as bases da indústria orientada por conhecimento, inovação e confiança organizacional. 

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