Os chips de computador são itens essenciais de todos os dispositivos que nos cercam e quando esses suprimentos escasseiam, a fabricação desses produtos pode parar por completo.

O chamado “armagedom dos chips” é uma realidade, que está afetando diferentes áreas da indústria, entre elas a automobilística. Os carros novos geralmente incluem mais de 100 desses microprocessadores e os fabricantes não estão conseguindo adquirir quantidades suficientes. As empresas de tecnologia vêm alertando que também enfrentam restrições.

Os lockdowns e isolamentos devido à pandemia, alavancaram as vendas de computadores e outros dispositivos para permitir que as pessoas trabalhassem em casa. Muitos indivíduos também aproveitaram para adquirir novos aparelhos, para uso de lazer.

Na indústria automotiva, inicialmente houve uma grande queda na demanda. Como resultado, os fabricantes de chips fizeram trocas e priorizações em suas linhas de produção. Porém, a situação se reverteu no terceiro trimestre de 2020. As vendas de carros voltaram maior do que o previsto, enquanto a demanda por dispositivos eletrônicos continuou em alta.

Por causa da carência de chips, a Audi deu licença para cerca de 10 mil funcionários da linha de produção. Os semicondutores (ou microchips), são componentes essenciais para sistemas multimídia, recursos de assistência ao motorista e uma série de outras aplicações.

No caso da Ford, houve a interrupção da linha de montagem na fábrica no Ketucky. Já a FCA postergou o início da produção da fábrica de Toluca, no México, onde fabrica-se o Jeep Compass. A Toyota precisou reduzir a montagem do Tundra. A Volkswagen admitiu que a situação prejudicará particularmente os modelos derivados da plataforma MQB. No Japão, a Honda diminuiu a linha de produção comprometendo especialmente às entregas do Fit.

Porém, o país mais afetado por essa questão é a China, que fabrica mais carros do que qualquer outra nação. A empresa de pesquisa IHS prevê uma redução de 250 mil veículos na produção do país durante os primeiros três meses de 2021 como consequência da atual escassez.

A indústria automotiva tem uma margem de estoque relativamente baixa e tende a não guardar uma grande quantidade de suprimentos. Para completar, muitos desses produtores de chips responderão à demanda extra aumentando seus preços.

Uma pesquisa realizada pelo Bank of America, estimou que as restrições de fornecimento da indústria diminuam apenas parcialmente no segundo semestre de 2021, com alguma escassez se estendendo até 2022.

Uma fabricante de chips disse ao Wall Street Journal, dos Estados Unidos, que as pendências eram tão grandes que levaria até 40 semanas para atender qualquer pedido de uma montadora.

A consultoria AlixPartners previu que a indústria automotiva perderá US$ 64 bilhões (ou R$ 344 bilhões) em vendas porque teve que fechar ou reduzir sua produção. No entanto, essa soma precisa ser analisada dentro do contexto do setor, que normalmente gera cerca de US$ 2 trilhões (R$ 10 trilhões) em vendas por ano.

Os chips que faltam são fabricados principalmente em países como Taiwan e Coreia do Sul, que passaram a dominar o setor, a participação dos Estados Unidos na fabricação de semicondutores caiu de 37% em 1990 para 12% hoje. O economista Rory Green, da consultoria TM Lombard, estima que esses dois países asiáticos respondam por 83% da produção global de chips de processador e 70% dos chips de memória.

Isso ocorre principalmente porque os governos desses países oferecem incentivos e subsídios significativos para atrair novas instalações de fabricação de semicondutores, enquanto os Estados Unidos não.

O Congresso do EUA autorizou no ano passado subsídios para fabricação de chips e pesquisa de semicondutores, mas os parlamentares ainda precisam decidir quanto financiamento fornecer. A indústria de chips solicitou ao presidente Joe Biden esse financiamento na forma de doações ou créditos fiscais.

Por enquanto, os consumidores precisam saber que o tempo de espera para alguns modelos de automóveis aumentará consideravelmente. E alguns outros dispositivos também podem ser difíceis de encontrar pelos próximos meses, além de um provável aumento no valor do produto.