Os números mostram que grande parte das profissões técnicas de grandes empresas são ocupadas por pessoas do sexo masculino. A DDI World apontou em uma pesquisa, realizada junto com a Ernst & Young, que empresas com 30% de diversidade de gênero e mais de 20% nos cargos sênior conseguem alcançar resultados financeiros melhores. O estudo analisou dados de mais de 2,4 mil empresas de 54 países.

Neste contexto, falaremos neste artigo como as engenheiras podem desempenhar um papel de liderança.

Mesmo com todo o preconceito e barreiras que as mulheres enfrentam nessa área, há grandes engenheiras que marcaram história no mundo, o que mostra que essa é uma profissão tanto para homens, quanto para mulheres. Você pode saber mais sobre a carreira de 10 grandes engenheiras que marcaram a história do mundo clicando aqui.

Muitos interesses e habilidades de gênero foram evidenciados por muito tempo por supostas tendências instintivas, o que contribuiu para que as profissões fossem “classificadas” como masculinas ou femininas. Historicamente, por questões culturais, as mulheres demoraram mais tempo para conquistar direitos que eram comuns para os homens, como o direto de votar, trabalhar com carteira assinada, estudar, e cursar a faculdade de engenharia que, por muitos anos, foi associada ao sexo masculino.

Na engenharia, por exemplo, os cargos de liderança em ambientes predominantemente masculinos representam um dos gargalos para se ter mais mulheres em cargos mais altos. Para mudar esse cenário, a empresa química BASF, associada à VDI-Brasil, deseja ampliar a participação feminina nos cargos de gerência. Até 2030, a empresa deve aumentar para 30% a proporção de mulheres nesses cargos em todo o mundo.

De acordo com dados levantados pela Folha de São Paulo na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), as parcelas de mulheres de 30 a 49 anos ocupando cargos de gerência e diretoria no setor formal aumentaram de 32,3% e 31,9%, respectivamente, em 2003, para 39,2% e 42,4%, em 2017.

Por outro lado, entre as dificuldades e preconceitos ainda enfrentados pelas mulheres está a questão da gravidez no mundo corporativo. Uma pesquisa realizada em 2018 pela Catho, com mais de 2,3 mil mães, aponta que 30% das mulheres deixam o trabalho para cuidar dos filhos – parte delas é demitida após a volta da licença maternidade ou decide sair da empresa por falta de flexibilidade nos horários. Entre os homens, esse número é quatro vezes menor: 7%.

Como podemos superar esse preconceito? Uma publicação desenvolvida em 2016 pela ONU Mulheres Brasil, em parceria com a Rede Brasileira do Pacto Global, elenca sete princípios para a igualdade de gêneros no ambiente empresarial:

  • Estabelecer liderança corporativa de alto nível para igualdade de gêneros;
  • Tratar todos os homens e mulheres de forma justa no trabalho – respeitar e apoiar os direitos humanos e a não discriminação;
  • Garantir a saúde, a segurança e o bem-estar de todos trabalhadores e trabalhadoras;
  • Promover a educação, a formação e o desenvolvimento profissional das mulheres;
  • Implementar o desenvolvimento empresarial e as práticas da cadeia de suprimentos e de marketing que empoderem as mulheres;
  • Promover a igualdade através de iniciativas e defesa comunitária;
  • Mediar e publicar os progressos para alcançar a igualdade de gênero.

De acordo com a organização, até o final de 2017, 150 empresas brasileiras assinaram esses princípios e se comprometeram a lutar pela igualdade de gêneros dentro do seu ambiente de trabalho. Nos últimos anos, a entrada da mulher no mercado brasileiro vem ganhando cada vez mais força – cerca de quatro milhões de mulheres conquistaram seu espaço, de acordo com o IBGE, e com isso, elas representam quase metade da força de trabalho no Brasil.

Inclusão e diversidade são temas frequentes na VDI-Brasil, por isso, reunimos, periodicamente, profissionais de diversas empresas para debater sobre esses e outros assuntos. Saiba como participar dessas discussões em https://www.vdibrasil.com/vdi-clusters/.