17 de fevereiro de 2018

Inteligência Artificial, Big Data, óculos digitais, hologramas, impressão 3D têm provocado uma verdadeira revolução na saúde, transformando não apenas a forma de cuidar das pessoas, mas também a gestão de clínicas, hospitais e operadoras de planos de saúde e a própria formação de médicos, enfermeiros e demais profissionais que atuam no setor. E as engenharias – mecânica, elétrica, de controle e automação, entre outras – são as grandes protagonistas de todos esses avanços.

Na interseção com a Biologia, pesquisas em engenharia possibilitam a adaptação de sistemas e dispositivos para reparo e reabilitação de tecidos biológicos que tenham sua função original perdida. Com a tecnologia de impressão 3D, são produzidas próteses sob medida de ossos da face e do crânio e até mesmo tecidos e protótipos de órgãos, através do uso de células vivas cultivadas.

Recentemente, engenheiros de tecidos da Academia Chinesa de Medicina conseguiram criar orelhas combinando impressão 3D e uma cultura de células, e transplantá-las em cinco crianças nascidas com microtia – condição congênita que afeta a formação de uma ou de ambas as orelhas, comprometendo a audição. Células cartilaginosas dos próprios pacientes foram coletadas e cultivadas em uma estrutura tridimensional de cada orelha saudável. O feito inédito foi publicado na revista EBioMedicine.

Soluções inteligentes

Aplicada ao desenvolvimento de equipamentos e softwares, a engenharia também tem contribuído para melhorar o atendimento à saúde e a eficiência de clínicas, hospitais e operadoras. A Siemens Healthineers, divisão de saúde da Siemens – associada à VDI-Brasil –, por exemplo, não só produz equipamentos de ressonância magnética, tomografia computadorizada e raio-x, como oferece soluções que permitem coletar e interpretar os dados gerados.

Uma das aplicações desenvolvidas pela empresa reúne uma gama de dados de cada equipamento – como quantidade diária e tempo médio de realização dos exames – e possibilita o compartilhamento de imagens com outros médicos. Desta forma, tem-se um diagnóstico mais preciso. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, este tipo de solução é uma alternativa para levar atendimento de qualidade a áreas remotas, por exemplo.

A companhia também está investindo em Inteligência Artificial. Está em seu radar uma solução para reunir informações contidas em milhões de imagens feitas em seus equipamentos e, com essa base de dados, comparar casos, diagnósticos e laudos. Desta forma, espera-se que os médicos tenham maior assertividade ao indicar um determinado tratamento a um paciente.

“Acreditamos em engenharia em um sentido muito mais amplo. Utilizar as competências científicas e de engenharia, criatividade e persistência para resolver desafios clínicos, operacionais e financeiros – é isso o que buscamos e no que acreditamos”, reforça a Siemens Healthineers em seu site institucional.

No ano passado, a companhia firmou acordo de cooperação com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) para o desenvolvimento e validação de um Tomógrafo Biomagnético, que se baseia na aplicação de um campo magnético de baixa intensidade sobre o órgão de interesse e na medida da resposta de um contraste magnético ingerido pelo paciente. Trata-se de uma técnica não invasiva e livre de radiação ionizante, a qual pode ser usada para diagnóstico e pesquisas de diferentes doenças e parâmetros fisiológicos do trato gastrintestinal.

O acordo também prevê a cessão de materiais técnicos e equipamentos para uso nas aulas do curso de Engenharia Biomédica, parceria de estágio e o desenvolvimento conjunto de cursos de especialização para engenheiros e profissionais que atuam nas áreas da saúde relacionadas aos equipamentos.

Capacitação para o futuro

Pouco a pouco, as tecnologias da informação também abrem possibilidades para a capacitação de médicos e profissionais da área da saúde no mundo todo. Em 2017, o cirurgião britânico Shafi Ahmed usou óculos digitais para mostrar ao mundo, via Snapchat, uma operação de hérnia.

Também no ano passado, ele usou o headset HoloLens, da Microsoft, para reunir virtualmente cirurgiões na operação conjunta de um paciente com câncer. As imagens do tumor apareciam como hologramas 3D para cada um dos médicos, que visualizavam os colegas como avatares gráficos.

Instituições de ensino como a Stanford Medicine, da Califórnia, têm incorporado
as inovações tecnológicas aos seus cursos, combinando imagens de exames a um sistema que cria um modelo 3D sobre o qual os médicos podem se debruçar.

Os exemplos mostram que a Indústria 4.0, alicerçada na engenharia, tem um potencial enorme de transformar a vida das pessoas. Discutimos aqui as aplicações na saúde, mas a digitalização abre possibilidades para todos os setores da economia. Quer ficar por dentro do que é tendência na área? Participe do VIII Simpósio Internacional de Excelência em Produção: Big Data Brasil – Digitalizando Competitividade. Organizado pela VDI-Brasil, o evento acontecerá no dia 24 de abril, durante a Feira Internacional de Máquinas e Equipamentos (FEIMEC), em São Paulo.