A engenharia ainda é um universo homogêneo. No entanto, para obter sucesso no desenvolvimento de novos recursos e soluções de problemas complexos é necessária uma pluralidade de ideias e pensamentos, que só é possível por meio da implementação da diversidade nas instituições.

Promover a diversidade na indústria, e nas empresas em geral, envolve a interação de pessoas com diferentes pensamentos, saberes, hierarquias, experiências, ideologias e visões de mundo, derrubando as barreiras e ampliando as perspectivas para a criação de novas tecnologias inclusivas para um número maior de pessoas.

Discutir sobre inclusão não se trata apenas de questões éticas. Os números mostram que a diversidade se tornou um fator vital para sobrevivência e progresso de empresas de base tecnológica em um ambiente totalmente disruptivo.

Um estudo realizado pela empresa de análise e pesquisa DDI World, em parceria com a Ernst & Young, que analisou dados de mais de 2,4 mil empresas de 54 países, identificou que, em empresas com 30% de diversidade de gênero, e mais de 20% no nível sênior, os resultados financeiros são melhores na comparação com as demais.

Na Alemanha, berço da Indústria 4.0, as organizações estão se adaptando a essa visão, implementando cada vez mais ações que estimulem a inclusão e a diversidade nas empresas. Um exemplo disso foi o evento “Engineering Diversity” realizado pela VDI na renomada RWTH University em Aachen para promover discussões sobre o tema.

No Brasil, devido à grande pluralidade de culturas que são amplificadas pelas dimensões territoriais de um país continental, aumenta a complexidade de fazer com que pessoas com ideologias e outras características distintas, trabalhe em sintonia por um mesmo objetivo. No entanto, uma vez que as diferenças são vistas como algo positivo, nota-se um potencial considerável na indústria nacional.

Reconhecendo o potencial da diversidade para fortalecer a inovação na engenharia no Brasil, a VDI-Brasil em parceria com a LaGracia criou o Ciclo de transformação “Engenhando a Diversidade”. O projeto é divido em 3 fases e visa instigar, aperfeiçoar e acompanhar a implementação de mudanças concretas que fizessem com que a diversidade se manifestasse nos processo de inovação das empresas.

Joyce Baena, sócia-fundadora da LaGracia e membro do cluster da VDI de Inclusão e Diversidade, coloca como primeiro passo, para estimular a diversidade, a realização de debates que expresse a relevância do tema, que ainda é desconhecido para algumas pessoas. “Falar sobre diversidade é complicado, muitos ainda consideram que é um assunto insignificante, e é justamente isso o que estamos discutindo no cluster. O primeiro passo para avançar, nesse sentido, é fazer com que as pessoas reconheçam que esse preconceito existe, e que é algo intrínseco que muitas delas nem percebem que têm. Uma vez que isso é compreendido, fica mais fácil entender de onde ele vem e trabalhar para refutá-lo. É difícil entender uma realidade diferente da nossa, mas é necessário” afirma Baena.

Fórum Inovação Inclusiva

No dia 27/6, na PUC-SP, foi realizada a primeira etapa do ciclo com o Fórum Inovação Inclusiva: Engenhando a Diversidade. O debate reuniu cerca de 25 participantes, entre tomadores de decisão das empresas, professores e pesquisadores.

Os profissionais que palestraram no evento foram Johannes Klingberg, diretor executivo VDI-Brasil, Joyce Baena, CEO La Gracia, Renate Fuchs, chairwoman do Cluster de Inclusão e Diversidade da VDI-Brasil, Manuel Gonçalves, VP da VDI-Brasil e diretor da Engenharia Voith Hydro, e Rafaela Maccheroni, membro do Cluster de Inclusão e Diversidade da VDI-Brasil.

A gerente de gestão de pessoas da thyssenkrupp, Ana Marotti, esteve presente no evento e tratou sobre a necessidade de se promover discussões a ações sobre o tema. “Eu vejo muita riqueza na discussão da inovação e da diversidade, porque é uma conexão que parece muito óbvia, mas ela traz toda uma complexidade envolvida. Agora, é o momento de as empresas entenderem que não dá para fazer as coisas como fizemos até hoje. Nós precisamos de gente diferente, que pensa de forma diferente, para construir um futuro diferente. A diversidade, hoje, está muito focada na questão do gênero e na questão da deficiência, mas ela é muito mais do que isso, é as pessoas poderem ser quem elas são e contribuir com a empresa como só elas, como indivíduos, podem contribuir. É muito importante essa colaboração“.

Outro aspecto que tem um papel importante na discussão sobre diversidade é a questão de enxergar as pessoas sob uma nova visão. Neste contexto, o professor e pesquisador da PUC-SP, Pedro Aguerre, afirma que “neste evento, nós vimos duas perspectivas da diversidade, a humana, que é quando somos todos diferentes, vivendo em diferentes espaços e experiências, e como essas interações são fundamentais para processos de inovação, e a diversidade como aquela relacionada à inclusão, geralmente daqueles que não encontram as portas abertas, como a pessoa com deficiência, que pode ser vista como alguém com habilidades específicas que podem ser encontradas“, finaliza Aguerre.

Para saber mais sobre o Cluster de Inclusão e Diversidade acesse o site e veja como participar de eventos relacionados ao tema: http://www.vdibrasil.com/vdi-cluster/