25 de setembro de 2018

Brasil apresenta alguns desafios específicos para a Indústria 4.0 e precisa desenvolver suas próprias estratégias.

A Fiesp realizou uma pesquisa, em parceria com o Senai-SP, para identificar o grau de conhecimento a respeito do conceito de Indústria 4.0 e os desafios  a serem enfrentados pela sua adoção. Como a discussão ainda é recente no Brasil, um dos objetivos foi identificar o nível de conhecimento das empresas.

Somente 41% das indústrias utilizam o lean manufacturing, ou sistema de produção enxuta, pré-requisito importante para a Indústria 4.0. Além disso, 32% dos entrevistados não tinham ouvido falar em quarta revolução industrial, Indústria 4.0 ou manufatura avançada, nomes diferentes para a mesma mudança na forma de produzir, com base em tecnologias e dispositivos autônomos que se comunicam entre si ao longo da cadeia de valor. Com isso, conclui-se que a disseminação de conhecimento sobre Indústria 4.0 mostrou-se um ponto importante.

Outro ponto foi identificar as empresas que já estavam concretizando ou planejando ações para a Indústria 4.0. Constatou-se que 30% já deram início a esse processo e 25% estão planejando. Para 52% das empresas, o progresso dessas iniciativas é “limitado” e para 35% “substancial”. Quanto ao investimento, em 2017, 38% desse grupo de empresas investiu até 0,5% do faturamento. Para 2018, espera-se que 28% delas se mantenham nesta faixa (até 0,5%) e outras 19% invistam na faixa entre 0,5% e 1% do faturamento.

Os resultados mostram a importância de disseminar, em nível introdutório, o que é a 4ª Revolução Industrial, o que ela significa, quais são as tecnologias, expectativas e riscos, para que as empresas possam seguir os próximos passos necessários para a implementação. O mesmo se aplica ao lean manufacturing, que precisa estar presente em 100% das empresas.

Mas, pensando pelo lado positivo, é possível observar os erros e acertos que foram feitos nos outros países, permitindo a tomada de decisões estratégicas. É possível recuperar o tempo perdido e criar formas para se beneficiar da Indústria 4.0.

Como a mão de obra não está preparada, também é necessário engajar e treinar os profissionais para que desempenhem novas funções. A mudança no perfil dessas pessoas pressupõe uma reinvenção necessária, com novas oportunidades e elevação da qualidade dos serviços.

Agora, em sistemas ciberfísicos, Big Data e novos modelos de negócios, as organizações precisam dar um passo atrás e alinhar a configuração da sua infraestrutura de TI ao seus planos de negócios, no crescimento e na expansão das empresas. Esse é o caminho para garantir a competitividade das corporações na era digital e a chave para a revolução industrial.

Na 10º edição Dia da Engenharia Brasil Alemanha, que vai acontecer no dia 23 de outubro, o painel “Infraestrutura Digital” conta com palestrantes que vão contribuir para discussões nesse tema. Confira: http://www.vdibrasil.com/eventos/dia-da-engenharia-2018/