A Indústria 4.0 descreve um processo fundamental de inovação e transformação na produção industrial. Essa transformação é impulsionada por novas formas de atividade econômica e por ecossistemas digitais globais. Hoje, a rigidez das cadeias de valor definidas é substituída por flexíveis e altamente dinâmicas redes de valor globalmente conectadas com novas formas de cooperação.

Os modelos de negócios orientados por dados priorizam benefícios para o cliente e soluções, substituindo o foco sobre o produto como paradigma predominante de valor industrial e de criação.

Disponibilidade, transparência e acesso a dados são fatores chave para o sucesso na economia conectada e em grande parte determinam a competitividade.

Na Visão 2030, elaborada pelo governo alemão, as partes interessadas na Plataforma da Indústria 4.0 apresentam uma abordagem holística para a modelagem dos ecossistemas digitais.

Trabalhando a partir de uma situação específica e dos pontos fortes estabelecidos da base industrial da Alemanha, seu objetivo é criar um enquadramento para uma economia de dados futura atendendo às exigências de uma economia social de mercado. Vão ser enfatizados os ecossistemas abertos, diversidade, pluralidade e apoio da concorrência entre todas as partes interessadas no mercado.

A visão é direcionada, principalmente, à indústria e comércio na Alemanha, mas explicitamente destaca a importância de abertura e disposição para trabalhar em conjunto com os parceiros na Europa e em todo o mundo.

A força da indústria alemã está enraizada em um sistema de inovação e comércio impulsionados pela heterogeneidade, diversidade e especialização. Combinado com liberdade comercial, segurança de dados e informações, e proteção dos direitos individuais das pessoas, esses são os pilares da sociedade industrial europeia. Um sistema descentralizado de ecossistemas abertos e flexíveis é construído sobre essa estrutura e oferece as melhores condições para moldar a economia digital dentro do conjunto de valores de um mercado livre, com economia social.

Três campos estratégicos de ação intimamente interligados são cruciais para uma implementação bem-sucedida da Indústria 4.0: autonomia, interoperabilidade e sustentabilidade.

As partes interessadas na Plataforma da Indústria 4.0 comprometem-se com os campos de ação como princípios orientadores para a próxima década do incipiente aumento de escala da Indústria 4.0 na Alemanha, em outros países da Europa e globalmente.

Em um diálogo com as partes interessadas na sociedade industrial, o objetivo é estabelecer um marco para a ação de modo que, com base na atual excelente posição da Indústria Alemã em termos globais, a indústria digital e a transformação da indústria da Alemanha possam ocorrer de forma sustentável.

Autonomia

O princípio da autonomia sustenta a liberdade de todas as partes interessadas no mercado (empresas, funcionários, cientistas, indivíduos) tomarem decisões autodeterminadas e independentes, e interagirem em uma concorrência justa – desde a definição e o modelo de negócios individual até a decisão de fazer uma compra dentro dos ecossistemas I40. A autonomia no ecossistema global da Indústria 4.0 requer:

  • Infraestrutura Digital

A configuração dinâmica permanente de redes de valor entre diferentes empresas requer uma infraestrutura poderosa e autônoma para a criação de valor industrial digital. Essa infraestrutura deve ser igualmente acessível a todos os participantes e disponível sem restrições. Define o acesso aos ecossistemas da Indústria 4.0 e garante ações pluralistas e diversidade de mercado.

Com um ativo estratégico, uma infraestrutura resiliente agrupa todos os requisitos e serviços abrangentes necessários para a coleta, o intercâmbio, a análise e o uso de dados interssetoriais e de fronteiras.

  • Segurança e proteção

A proteção de dados, a TI e a segurança da informação são princípios firmemente estabelecidos em nossa indústria e sociedade. Eles são uma pré-condição básica para a Indústria 4.0 e a cooperação dentro dos ecossistemas digitais. Diante de todos os desafios, eles estabeleceram a base para o alto nível de confiança global na Indústria 4.0.

Empresas, funcionários e pessoas privadas precisarão, no futuro, cada vez mais poder confiar em seus dados protegidos, em ser transparente e em decidir de maneira autônoma qual o uso que permitem, que não permitem e quando desejam implantar seu “direito de ser esquecido”.

  • Desenvolvimento Tecnológico

A autonomia na Indústria 4.0 requer pesquisa, desenvolvimento e inovação neutros em tecnologia nas áreas centrais da criação de valor industrial digital. Além do papel de liderança desempenhado pelos desenvolvimentos em tecnologia, também é particularmente importante implementar a proteção de dados e a segurança por design, bem como sustentabilidade e interoperabilidade. Finalmente, a integração dinâmica aos aplicativos e modelos de negócios digitais garante que todos os participantes do ecossistema participem e se beneficiem dos avanços da tecnologia.

Interoperabilidade 

A rede flexível de diferentes partes interessadas para formar redes de valor ágeis é um dos principais blocos de construção dos processos de negócios digitais na Indústria 4.0. A interoperabilidade de todas as partes interessadas é um elemento estratégico fundamental na configuração dessas estruturas complexas e descentralizadas. Um alto nível de interoperabilidade – para o qual todos os parceiros se comprometem e contribuem igualmente – é necessário para garantir a rede direta de operações e processos entre empresas e setores.

Na outra direção, estruturas e interfaces interoperáveis proporcionam aos fabricantes e clientes uma possibilidade irrestrita de participar de redes de valor digital e, assim, moldar novos modelos de negócios. Dessa forma, a interoperabilidade também aumenta a autonomia.

  • Padrões e integração

A posição global de destaque, quando se trata da integração de soluções individuais para se tornar soluções sistêmicas da Indústria 4.0, baseia-se, em grande parte, nos esforços intensivos e de longa data para desenvolver padrões. Isso facilita, consideravelmente, a integração e, portanto, representa uma base para a interoperabilidade. Isso facilita consideravelmente a integração e, portanto, representa uma base para a interoperabilidade. Nesse núcleo, a competência precisa ser usada e desenvolvida de acordo com as necessidades dos ecossistemas digitais.

Não menos importante, devido às arquiteturas de referência interssetoriais e ao estabelecimento de uma camada de administração como uma imagem digital do mundo real, novas abordagens estão agora disponíveis e são sustentadas e desenvolvidas para formar um “padrão USB para a Indústria 4.0”.

  • Quadro regulamentar

A fim de assegurar a ligação em rede, o intercâmbio e a cooperação em ecossistemas abertos, com condições justas e equitativas para todas as partes interessadas, são necessários em um quadro regulamentar – a nível nacional, europeu e internacional.

Isso implica na ancoragem das regras de governança e no desenvolvimento do sistema de inovação, bem como na reflexão dos aspectos de autonomia e segurança dos dados e os interesses dos empregados e indivíduos em geral.

  • Sistemas descentralizados e Inteligência Artificial

Os sistemas descentralizados e autônomos com inteligência incorporada são de mais importância nos ecossistemas digitais de criação de valor industrial (B2B) do que no setor B2C. O uso cooperativo e transparente, e a interconexão de vários tipos de dados de máquinas e usuários em um ecossistema bem integrado, baseado em uma arquitetura padronizada, permite o desenvolvimento de novas soluções e modelos de negócios por meio do uso de Inteligência Artificial de diversas maneiras.

Quando se trata do uso benéfico de IA nos vários níveis de prática industrial (Edge, premissas, nuvem), um papel fundamental ao lado do Big Data é desempenhado pela coleta e uso de Dados Inteligentes.

Sustentabilidade

A sustentabilidade econômica, ambiental e social é um pilar fundamental dos valores de nossa sociedade. Isso funciona em duas direções: em primeiro lugar, essa sustentabilidade está sendo incorporada na Indústria 4.0 e, em segundo lugar, a Indústria 4.0 permite um progresso substancial em sustentabilidade. Por exemplo, a prosperidade e a qualidade de vida de cada indivíduo dependem de um setor industrial competitivo e voltado para o futuro.

O ecossistema de inovação e a implementação da I4.0 criam, assim, um ambiente fértil, no qual a sustentabilidade pode resultar da Indústria 4.0 e esta pode ser sustentável – e, portanto, uma contribuição fundamental para a manutenção do padrão de vida da nossa sociedade.

  • Trabalho decente e educação

Ao colocar o ser humano no centro, a Indústria 4.0 faz contribuições significativas para uma grande melhora nas condições de trabalho. Por conta de fabricantes de equipamentos inovadores e da indústria de usuários internacionalmente competitiva, a Indústria 4.0 tem ajudado a Alemanha a manter um alto nível de emprego.

O multiplicador e os efeitos colaterais ampliam o impacto para outros setores. O excelente nível de educação da força de trabalho oferece uma base estável para a aprendizagem ao longo da vida, e as numerosas oportunidades de formação adicional oferecem possibilidades orientadas para as necessidades de o conseguir. Isso deve ser usado e promovido proativamente, a fim de responder às mudanças de habilidades em andamento.

  • Participação social

A Indústria 4.0 representa um processo de transformação que abrange toda a sociedade, implicando mudanças de longo alcance para as partes interessadas. O objetivo primordial é que as inovações industriais e sociais geradas pela Indústria 4.0 não criem apenas desafios para essas partes interessadas, mas também, e em particular, novas oportunidades.

Esse processo de mudança social requer não só uma estreita cooperação a nível corporativo, mas também a participação e codeterminação de todas as partes interessadas: a partir de um diálogo entre os parceiros sociais na empresa individual para os aspectos transversais e interssetoriais da cooperação, e questões abrangendo toda a sociedade em termos do uso de tecnologias digitais e Inteligência Artificial no nosso dia a dia.

  • Economia circular e mitigação da mudança climática

A Indústria 4.0 permite aproveitar o potencial adicional para a eficiência de recursos. Uma combinação de abordagens baseadas em projeto e em processos pode criar ciclos de material fechados durante toda a vida útil do produto. Os modelos de negócios orientados a serviços fazem dos produtos a base dos serviços e, assim, os mantêm sob os cuidados e a manutenção do fabricante, o que significa que o segundo pode construir um design mais sustentável em seu produto.

Isso significa que a Indústria 4.0 é um fator chave para a economia circular e para a proteção ambiental e a ação climática em geral.

No Brasil, uma das grandes dificuldades, nesse sentido, é justamente o acesso aos dados, fator crucial para o avanço nessa área. No dia 11 de setembro, a VDI-Brasil, em parceria com a GS1 Brasil, vai promover o IX Simpósio Internacional de Excelência em Produção. Na ocasião, o tema abordado será “A Indústria 4.0 rumo à Economia Circular”. Os renomados convidados vão discutir sobre os conceitos, tendências e soluções para viabilizar a economia circular por meio da Transformação Digital. O assunto é de extrema importância para o que país consiga avançar na área. Saiba mais e inscreva-se aqui: http://www.vdibrasil.com/eventos/ix-simposio-internacional-de-excelencia-em-producao/