17 de junho de 2021

Finanças costumam ser um tema sensível para muitos. Na era digital, em que essas transações se dirigem, cada vez mais, para o universo virtual, muitos são os questionamentos. Há quem faça todas as atividades financeiras on-line, mas há os que não querem nem ter contato com essa possibilidade. Afinal, tudo o que é feito nesse ambiente hoje pode ser rastreado.

Para tornar as operações financeiras on-line mais confiáveis, muitas tecnologias já foram testadas. De senhas a tokens, passando por acessórios físicos de geração de códigos, houve muitas tentativas diferentes nesse aspecto.

Uma das tecnologias mais promissoras para essa finalidade é o blockchain. Com ela, é possível ter uma internet anônima, descentralizada e com garantia de proteção à privacidade. Em tradução livre, blockchain é corrente de blocos. O sistema é composto por duas partes: uma rede peer-to-peer (P2P) e um banco de dados descentralizado.

A rede P2P (ou comunicação de ponto a ponto) tem usuários que compartilham tarefas, trabalho ou arquivos sem a necessidade de um servidor central (o que traz uma redução de custos significativa). Todos os participantes têm iguais privilégios e influência no ambiente.

Cada computador integrante da rede é um nó e, sempre que um novo dado entra no sistema, ele é recebido por todos os nós. Essa informação é encriptada e não há como rastrear quem a adicionou — só é possível verificar sua validade.

Como medida de segurança, o método faz o registro distribuído das informações para descentralizar o processo. Assim, quando um nó deixa a rede, os outros já têm uma cópia de toda a informação compartilhada. Da mesma forma, se novos nós entram nela, os demais criam cópias de suas informações para eles.

Criptoarte com Blockchain e NFT’s

No início de março desse ano, uma obra de arte digital foi vendida pela bagatela de US$ 69,3 milhões em um leilão on-line. O que mais chamou atenção de muitas pessoas é o fato de que a obra “Everydays – The First 5000 Days”, de autoria do designer Beeple, recebia o selo NFT, do inglês non-fungible token.

Em tradução NFT, o token não fungível, é bastante conhecido para quem explora o mundo das criptomoedas e blockchains – e tem sido considerado um ativo com potencial bastante promissor.

De forma simplificada, NFTs são tokens gerados a partir de uma blockchain e servem para dar a um item específico uma espécie de identidade única, como um selo oficial de item raro.

Assim, eles geralmente são atrelados a obras de arte ou outros conteúdos criativos e artísticos, como músicas, mas eles podem ser usados para qualquer coisa que se queira: (1) garantir sua autenticidade, seja do dono ou de sua origem; e (2) possa ser colecionado, como algo escasso e que nem todas as pessoas do mundo podem ter.

Da mesma forma que bitcoins, os NFTs são criados virtualmente e protegidos pela dinâmica de funcionamento da blockchain e o seu algoritmo de consenso. Dessa forma, o registro não pode ser modificado, porque esse consenso inerente à blockchain garante a integridade dos tokens gerados. Isso significa que, mesmo que a arte seja digital, não significa que qualquer pessoa possa simplesmente copiar e colar para afirmar que é dono de uma obra original.

A principal diferença entre criptomoedas (que são ativos fungíveis) e os NFT (não fungíveis) é que os primeiros são intercambiáveis e os últimos não. Isso significa que criptomoedas são cambiáveis pelo valor equivalente em dólares ou reais, por exemplo. Isso porque o termo “fungível” significa “passível de ser substituído por outra coisa de mesma espécie, qualidade, quantidade e valor”. Ao contrário, os NFTs são “não fungíveis” e podem estar atrelados a qualquer coisa que se queira.

Pense nos tokens não fungíveis como um selo que autêntica essa obra de arte. Esse selo não apenas garante quem é o pintor por trás da criação – o que já seria um marco que acabaria com muita obra falsificada no mundo.

Ele também mostra todo o histórico de transações por trás dessa obra, de uma forma que não pode ser apagada ou modificada. Isso é possível por conta do registro de cada token na blockchain. Ao conectar a arte à rede descentralizada, é o mesmo que registrar digitalmente um código que ficará imutável.

Em fevereiro, por exemplo, um NFT de um vídeo do clássico meme do Nyan Cat (sim, aquele gato em pixel arte voador que deixa um rastro de arco-íris por onde passa) foi vendido por módicos US$ 500 mil.

Blockchain e NFTs na Indústria

Por conta da sua segurança, a tecnologia é geralmente atrelada a sistemas financeiros ou de assinaturas de contratos on-line. Mas a indústria também pode se beneficiar das vantagens do blockchain e dos tokens como o NFT, principalmente as fábricas adequadas ao conceito 4.0.

A rastreabilidade é um forte pilar da Indústria 4.0 e uma das principais vantagens dessas tecnologias apresentadas. Ela é basilar para todos os processos de fabricação de um produto. Na linha de montagem, monitorar os dados de produção traz insumos para o controle de qualidade e para o setor de vendas; na logística permite localizar o produto de forma facilitada e otimizar a entrega; no pós-venda auxilia na credibilidade da marca, uma vez que o consumidor consegue consultar todo o histórico do produto.

Essas duas funcionalidades, de rastreamento e comunicação, ajudam a aprimorar o controle de qualidade. A tecnologia permite que os responsáveis recebam em tempo real o que está sendo produzido e qual é o status do produto em cada etapa da sua linha de montagem, assim, os problemas podem ser mapeados e resolvidos com maior facilidade – sem precisar impactar um lote inteiro por isso.

A tecnologia do blockchain e do NFT, portanto, é mais um insumo que a Indústria 4.0 pode usar para aprimorar, otimizar e automatizar seus processos, de forma protegida e em tempo real.