Manufatura Aditiva VDI-Brasil

Em um cenário de tecnologias disruptivas, que revolucionam o setor industrial, as práticas inovadoras impulsionam a concepção de novos produtos e serviços, que agregam inúmeros benefícios e podem impactar, positivamente, múltiplos níveis da sociedade. Dentre os novos conceitos resultantes dessas atualizações ocorridas nas empresas, está o termo Manufatura Aditiva. Trata-se de um processo de manufatura que consiste na produção de peças por meio da utilização de impressoras 3D.

A origem da nomenclatura Manufatura Aditiva surgiu como um contraponto do sistema de produção tradicional, que passou a ser denominado Manufatura Subtrativa. De maneira resumida, pode-se dizer que, no procedimento subtrativo as máquinas trabalham com a moldagem da matéria-prima bruta, removendo as partes que são desnecessárias até transformá-la no produto final. A subtração se dá, justamente, na etapa de remoção, em que grande parte da matéria-prima é descartada. O oposto acontece na Manufatura Aditiva, uma vez que, nesse caso, a produção é feita por meio da adição de camadas sobre camadas até a concepção do objeto, não gerando desperdícios de materiais.

Entre as muitas vantagens da Manufatura Aditiva destaca-se o fato de que um mesmo equipamento pode ser utilizado para incontáveis finalidades. Ao contrário do modelo de manufatura tradicional, em que cada máquina possui um molde próprio, específico para determinados fins. Com a técnica de impressão 3D é possível criar itens baseados em projetos personalizados.

O processo de Manufatura Aditiva funciona mediante à realização de um projeto 3D desenhado em um software de desenho digital, que é convertido em objeto físico por uma impressora 3D. Na criação dos itens podem ser utilizados plástico, resina, cerâmica ou metal.

A técnica de impressão 3D foi realizada pela primeira vez em 1984, nos Estados Unidos, pelo engenheiro Charles Hull. Apesar de ser uma prática com mais de 35 anos, somente nos últimos cinco que ela está se popularizando. Por conta de questões envolvendo patentes, ter uma impressora 3D significava fazer um investimento alto, o que era inviável para grande parte das empresas. Em 2014, com o fim da patente, houve uma queda considerável no valor dos equipamentos, tornando-a uma tecnologia acessível.

No relatório global Wohlers Report 2018, que aponta os principais resultados da Manufatura Aditiva na indústria, realizado pela Wohlers Associates. Inc, as vendas de sistemas de Manufatura Aditiva para o nicho de metais cresceram cerca de 80% entre 2016 e 2017. Em 2016, foram 983 sistemas e, já no ano seguinte, esse número subiu para 1.768.

A implementação de Manufatura Aditiva possibilita a concepção de peças únicas, utilizando geometria complexa, sem precisar sequer sair do escritório. Considerando a Manufatura Subtrativa, ao elaborar um desenho de protótipo é necessário criar um molde com as medidas e formato específicos para ele e, somente depois desse processo, iniciar a construção do objeto. Com a impressão 3D, não há um obstáculo entre a finalização do desenho no software e sua materialização. Se um projetista termina seu projeto pela manhã, no período da tarde, ele já pode estar com o item físico em mãos para realizar os testes.

Ainda que seja uma prática relativamente nova, a Manufatura Aditiva já possui um papel fundamental em alguns campos da indústria, resultando em cases que revolucionaram a produção no setor. As áreas que mais possuem participação da Manufatura Aditiva são Saúde, Automotiva, Energia, Aeroespacial e Bens de Consumo.

Na área da saúde, a Manufatura Aditiva possibilita a impressão em 3D de aparelhos auditivos, próteses ortopédicas e dentárias, e até órgãos humanos para a realização de transplantes. Para a impressão de órgãos são utilizadas as células da mesma pessoa que irá recebê-lo, com isso, criam-se estruturas orgânicas, evitando, assim, complicações com incompatibilidade. A longo prazo, esse procedimento tem como reflexo a redução das filas de espera para o recebimento de órgãos.

Por enquanto, há poucos laboratórios que trabalham com Manufatura Aditiva e não há uma previsão de quando ela chegará aos hospitais, porém, a tecnologia ainda é recente e está em frequente evolução. Os testes realizados até o momento expressam como a técnica pode solucionar diversos problemas na medicina. Em Israel, a empresa de medicina regenerativa, Collplant, está estudando a possibilidade de impressão 3D de pulmões transplantáveis, com o uso de colágeno.

De fato, ainda estamos longe de ver a Manufatura Aditiva presente em todas as esferas da indústria, sua participação ainda é pequena, devido há alguns fatores, como valor dos materiais utilizados para impressão, necessidade de pós-produção dos itens após a impressão, valor das impressoras 3D, dentre outros. Por outro lado, a indústria de impressão 3D já está ciente de suas limitações e está buscando maneiras de superá-las. Vale ressaltar que a Manufatura Aditiva não surge como uma alternativa para substituir o modelo de produção em massa tradicional, mas sim como um complemento, que torna o processo de manufatura mais rápido, preciso, econômico e efetivo.

Não há como negar que a Manufatura Aditiva possui um futuro promissor. Com os avanços apresentados pela tecnologia todos os dias, é notável que essa revolução já começou e é só questão de tempo até essa prática se expandir e se consolidar na indústria, levando a produção a outro patamar.