Na manhã da última quarta-feira (23/1), o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou as novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para os cursos de engenharia. O documento foi formulado pela Mobilização Empresarial pela Inovação, fórum vinculado à Confederação Nacional da Indústria (CNI), em conjunto com a Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge).

As novas DCNs têm como finalidade ajustar a estrutura dos cursos de graduação para formar engenheiros capazes de enfrentar os desafios presentes na Indústria 4.0. A proposta ainda deve ser homologada pelo Ministério da Educação (MEC) para entrar em vigor.

A criação de novas diretrizes para a graduação de engenharia já vinha sendo discutida nos últimos dois anos. No ano passado, foram realizadas Audiências Públicas para apresentar e discutir as atualizações propostas no documento. Após a homologação pelo MEC, o modelo deve ser implementado em todas as Instituições de Ensino Superior do Brasil.

Dentre as razões para ser elaborado um novo plano de DCNs está o fato de que a última revisão feita no documento aconteceu em 2002, ou seja, há mais de 16 anos. Diante das mudanças frequentes, advindas da presença cada vez maior da tecnologia na Indústria, destaca-se a necessidade da reformulação e adaptação do processo de ensino a esse novo cenário.

Atualmente, a graduação em engenharia se baseia na formação por conteúdo, em sua maioria, teórico. Por conta disso, muitos dos engenheiros recém-formados vão para o mercado de trabalho apenas com conhecimentos adquiridos nas salas de aulas e experiências práticas realizadas nos laboratórios da universidade.

O foco da nova proposta está em tornar o curso mais dinâmico e prático, fornecendo ao aluno uma metodologia de ensino ativa, voltada em projetar soluções para problemas reais desde o primeiro ano de graduação. No modelo atual, os dois primeiros anos são centrados em disciplinas teóricas, que compõem as grades de todas as engenharias. Por esse motivo, grande parte dos estudantes se sentem desmotivados e muitos abandonam o curso precocemente. A formação por competência, prevista nas novas DCNs, surge como solução para diminuir o índice de abstenção.

Sugerir o empreendedorismo como campo de atuação dos engenheiros é outro ponto destacado no documento. A gama diversificada de áreas em que a engenharia possui papéis importantes deve refletir-se em uma oferta mais abrangente de programas que valorizam os diferentes perfis dos estudantes, tais como pesquisador, empreendedor ou operacional.

O estímulo à diversidade também é tratado como um dos princípios das novas DCNs. Uma sociedade ampla e abstrata demanda múltiplos perfis de engenheiros, que sejam capazes de atender às diferentes necessidades. Por essa razão, a diversidade deve ser incentivada desde o período acadêmico.

As atualizações propostas nas DCNs têm como objetivo a flexibilização do curso, possibilitando a implementação de práticas inovadoras, que são essenciais para formar engenheiros capacitados para as exigências atuais do mercado. Algumas instituições no Brasil já possuem em sua grade curricular alguns dos fatores citados no documento. No entanto, o objetivo é que seja implementado em todos os cursos do Brasil.