17 de janeiro de 2022

A economia circular baseia-se em repensar a forma de desenhar, produzir e comercializar produtos para garantir o uso e a recuperação inteligente dos recursos naturais de forma sustentável. Trata-se de um aperfeiçoamento do sistema econômico atual, que visa um novo relacionamento com os recursos naturais e a sua utilização pela sociedade. O conceito propõe uma modificação em relação à forma sobre a qual a economia tradicional se organiza de ponta a ponta. Essa mudança envolve alterações nos processos produtivos, na lógica do consumo, ciclo de vida dos produtos, entre outros.

Implementar um modelo circular é sempre uma quebra de paradigma. E, apesar do número da crescente adesão das empresas à elementos que corroboram para a economia circular, o modelo linear (caracterizado pelas etapas de extração de recursos, produção de bens, uso e descarte) é amplamente consolidado, principalmente em praças subdesenvolvidas. Para isso, é preciso um compromisso entre as esferas pública e privada para o desenvolvimento de soluções que vão desde a transição de matrizes energéticas, até ações de incentivo de uma economia sustentável, tanto no âmbito individual quanto no coletivo.

Uma definição mais atual para a economia circular está sendo desenvolvida no âmbito da Organização Internacional de Normalização (ISO). Segundo a entidade, é um sistema econômico que utiliza uma abordagem sistêmica para manter o fluxo circular dos recursos, por meio da adição, retenção e regeneração de seu valor, contribuindo para o desenvolvimento sustentável. Sendo assim, a economia circular ultrapassa o âmbito e o foco das ações de gestão de resíduos e de reciclagem, visando um escopo mais amplo que engloba desde o redesenho de processos, produtos e modelos de negócio, até a otimização da utilização de recursos.

Assim, há benefícios para o ambiente, para o crescimento econômico e para a população. A redução de custos e ganho de competitividade, consequentemente, resulta em maior geração de valor para a empresa. Novas fontes para investimento, otimização da utilização de matérias-primas, menos desperdício, aumento da geração de empregos, maior eficiência operacional, crescimento econômico, conscientização da população, consumindo com mais cautela e consciência ambiental, e oportunidade para novos negócios e geração de empregos são outras vantagens do modelo circular.

 

Principais desafios 

Para a Indústria, o grande desafio da implementação da economia circular é que as empresas desenvolvam novos modelos de negócio que agreguem valor ao produto/serviço. Esse processo é possível buscando novos modelos que tenham vida útil, ou seja, que facilitem a transformação de produtos e serviços em matéria-prima para outros produtos em um ciclo contínuo.

Numa altura em que o crescimento econômico aumenta a nível global, a economia circular tem assumido um papel cada vez de maior destaque nas agendas de vários países nas mais diversas localizações. Com recursos cada vez mais escassos e uma necessidade ambiental de promover um melhor aproveitamento dos recursos, a economia circular é essencial tanto para a manutenção de níveis de crescimento econômico como para a preservação ambiental e de conservação de recursos. 

A adoção de políticas de reutilização e de minimização de desperdícios no processo produtivo serão prioridades durante a próxima década. Como tal, a preparação e reformulação dos processos da sua organização, assumindo estes pressupostos, representa um passo em frente rumo a um modelo de negócio mais sustentável.

No Brasil, foi implementada a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), uma lei (Lei nº 12.305/10) que organiza a forma como o país lida com o lixo, exigindo dos setores transparência no gerenciamento de seus resíduos. Assim, todos os envolvidos no ciclo produtivo se tornam responsáveis pela diminuição dos resíduos sólidos e pela adoção de práticas mais sustentáveis. Dados da CNI de 2019 revelam que, no Brasil, 76% das empresas já desenvolvem alguma iniciativa de economia circular. Práticas como reuso de água, reciclagem de materiais e logística reversa são as principais implementações no país. 

 

Solução para a transição para uma economia circular

Um exemplo de iniciativas de empresas na implementação da economia circular é o case da SAP SE, a empresa anunciou a disponibilidade do SAP® Responsible Design and Production, solução para projetar produtos de forma sustentável e promover a transição para uma economia circular. Este é o mais recente integrante de um portfólio crescente de aplicações voltadas especificamente para sustentabilidade e que ajudam as empresas a incrementar os recursos de medição e gerenciamento de dados.

Em um cenário em que surgem sucessivas regulamentações para negócios sustentáveis, como os impostos incidentes sobre plástico, o SAP Responsible Design and Production pode ajudar as empresas a acelerar a transição para práticas de economia circular. A nova solução garante aos negócios mais visibilidade sobre os fluxos de materiais ao longo dos processos, trazendo ferramentas de rastreamento e conformidade com regulamentações que mudam rapidamente, em especial, as relacionadas a embalagens de produtos e plásticos. 

Com a nova solução da SAP, as empresas podem incorporar princípios da circularidade aos principais processos de negócios, ajudando a eliminar o desperdício e trazer à tona novos valores, projetando produtos para serem sustentáveis desde o início. Essa visibilidade ajuda a fazer alterações no design para reduzir o desperdício e tomar decisões sobre como diminuir os custos associados aos posteriores sistemas de reutilização e reciclagem.

É certo que as empresas e os consumidores estão cada vez mais interessados e participativos quando se trata de políticas relacionadas ao clima e sustentabilidade. E a economia circular é um conceito que vem dar um suporte aos esforços mundiais ao tratar do melhor uso dos recursos naturais. Ideal para qualquer segmento, este modelo de economia é aplicável para negócios de grande, médio ou pequeno porte. Este é um conceito globalmente aceito e cada vez mais recorrente nas organizações. Isso porque, por fim, a economia circular não se restringe apenas a reduzir os danos causados pela economia linear, mas também proporcionar uma mudança significativa do sistema.