Uma equipe interdisciplinar, composta por engenheiros, arquitetos e amantes da marinha, coordenada pela arquiteta Marcella Hansch, trabalha para conseguir fazer uma triagem do lixo do Pacífico, liberando os oceanos dos resíduos plásticos.

Para que isso seja viável, a arquiteta responsável projetou uma planta para a purificação dos rios e mares, e fundou a organização sem fins lucrativos “Pacific Garbage Screening” em 2016.

Como parte de sua tese de mestrado na RWTH Aachen, Hansch desenvolveu uma tecnologia com a qual os resíduos plásticos podem ser filtrados fora da água. A plataforma deve consistir em vários canais que se estendem por vários metros até a profundidade. A água flui através desses canais, o que, por sua vez, acalma o fluxo e permite que o plástico seja roçado em elevação. É preciso saber qual parte do plástico é mais leve do que a água e flutuaria na superfície de qualquer maneira se não carregasse as correntes e sujasse.

“A característica especial da nossa plataforma é que os seres vivos podem nadar facilmente pelos canais, portanto, não há perigo para a fauna e flora. Ao contrário da nossa ideia original de flutuar a plataforma em alto mar, nosso objetivo, agora, é usá-la em estuários, onde todos os resíduos plásticos entram primeiro nos oceanos”, explica Hansch.

Depois de filtrado, o objetivo é de que o plástico não seja queimado, pois isso também prejudica o meio ambiente. A equipe está trabalhando em parceria com os cientistas da RWTH Aachen University para otimizar processos de conversão termoquímica e desenvolver caminhos de reciclagem biotecnológicos, que permite reciclar os resíduos de maneira ecologicamente correta. “Temos o compromisso de garantir que os plásticos sejam reciclados para que possam ser usados da forma mais significativa possível e conservar mais recursos”, ressalta Hansch.

A organização sem fins lucrativos “Pacific Garbage Screening”, fundada em 2016, fez grandes processos no ano passado. Paralelamente à pesquisa e desenvolvimento da plataforma, a associação faz inúmeras palestras e cooperações em toda a Europa, o que contribui para o financiamento do desenvolvimento. Hoje, já é possível pagar pelos primeiros empregos em tempo integral e alguns empregos temporários que contribuem para o constante progresso do projeto.

A segunda frente da Pacific Garbage Screening é a educação ambiental. O objetivo é resolver o problema na raiz e não apenas “arrumar” depois. Para isso, visitam escolas e outras instituições de ensino, dando palestras e lançando campanhas. “Dentro de dez anos, querem alcançar o maior número possível de pessoas e usar plataformas nas quais a maior parte do plástico penetra nos oceanos.

“Os consumidores têm muito poder nos dias de hoje e todos podem contribuir em pequenos hábitos e mudanças para evitar o plástico, a começar pelos produtos de higiene pessoal. Os recipientes de shampoo, por exemplo, são facilmente substituídos por shampoo sólido. Uma coisa que muitos não sabem é que nossas roupas contêm muito microplástico, que entra no esgoto durante a lavagem e também nos rios e mares, o que é extremamente perigoso para os animais. A única maneira de evitar completamente esse problema com roupas é abster-se de tecidos sintéticos, mas isso é bastante difícil, especialmente com roupas esportivas. Um ponto que ajuda bastante é lavá-las em baixa temperatura, sempre que possível, usar filtros ou lava-sacos e não utilizar amaciantes”, detalha Hansch.

A iniciativa está bastante alinhada com economia circular, um conceito econômico que faz parte do desenvolvimento sustentável. O modelo circular assume que os produtos e serviços tem origem em fatores da natureza e que, no fim da vida útil, retornam à natureza por meio de resíduos ou outras formas de menor impacto ambiental. Em setembro, no dia 11, a VDI-Brasil, em parceria com a GS1 Brasil, vai realizar o IX Simpósio Internacional de Excelência em Produção, com o tema “Indústria 4.0 rumo à economia circular”. Palestrantes renomados vão discutir sobre os conceitos, tendências e soluções para viabilizar a economia circular por meio da transformação digital. Saiba mais e se inscreva aqui: http://www.vdibrasil.com/eventos/ix-simposio-internacional-de-excelencia-em-producao/