Nos últimos anos, vimos surgir uma revolução em busca de igualdade tanto na indústria como na academia, e esse movimento tem como protagonista uma figura que durante muito tempo esteve sem voz e sem vez: a mulher.

A luta pela igualdade de gênero fez com que a mulher tomasse espaços que antes eram majoritariamente masculinos, na política, na indústria e na ciência, por exemplo. Espaços que pareciam inalcançáveis para elas, inclusive na área de engenharia, que apesar de já atrair mais mulheres do que há algumas décadas, ainda é composta, em sua grande maioria, por homens.

A participação feminina na engenharia está aumentando sim, mas o número ainda está longe do ideal. Em 2015, as mulheres eram apenas 20,8% dos profissionais de engenharia no Brasil, enquanto os homens representavam 79,2%. Os dados são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), levantados com apoio da Federação Nacional dos Engenheiros.

Um dos motivos que ainda trava o avanço das mulheres na engenharia é o preconceito. Em um estudo realizado pela Society of Women Engineers (SWE) e pela National Society of Black Engineers (NSBE) em 2016, nos Estados Unidos, 61% das engenheiras afirmaram que já tiveram que provar sua competência repetidas vezes para obter o mesmo nível de respeito e reconhecimento que o de seus colegas. Na outra ponta, apenas 35% dos homens brancos alegaram ter passado por esse tipo de situação.

A pesquisa também apontou outros inúmeros problemas relacionados à igualdade de gênero, como a diferença salarial. Quando questionadas sobre o tema, 40% das engenheiras responderam que, em comparação com seus colegas, trabalhavam mais e ganhavam menos.

A boa notícia é que muitas empresas, de diversos setores, inclusive o industrial, já notaram que, para atrair mais talentos e criar vantagem competitiva, têm que se posicionar em favor da igualdade de gênero e de outras causas sociais.

Reunimos algumas ações que podem ajudar na promoção da igualdade de gênero em todas as esferas sociais, inclusive na indústria e na área de engenharia. Confira!

1. Incluir os homens na mudança

Uma pesquisa coordenada pela instrutora executiva e presidente da Executive Leadership Strategies (LLC), Anna Marie Valerio, junto da professora de psicologia da pós-graduação em Desenvolvimento de Recursos Humanos da Universidade Villanova, nos Estados Unidos, Katina Sawyer com 75 líderes de grandes instituições e empresas, mostrou que a maioria acreditava que qualquer solução que envolvesse apenas metade da população teria sucesso limitado, inclusive a luta pela igualdade de gênero.

É necessário integrar os homens na mudança. Não de forma que eles assumam o lugar de protagonismo, mas considerando que, por meio de sua influência, possam ajudar a difundir a importância de uma postura igualitária nas empresas. Indicar colegas para ocupar cargos altos e dar abertura para que elas tenham suas ideias ouvidas também são formas de apoiá-las.

2. Fazer da inclusão de gênero parte da gestão de talentos

Empresas que lideram no quesito igualdade de gênero têm 21% mais probabilidade de apresentar resultados acima da média do mercado do que aquelas com menor diversidade. Além disso, elas também têm uma probabilidade 27% maior de criar valor ao longo prazo. Os números são do relatório Delivering through Diversity, de 2017, feito pela McKinsey and Co, que avaliou mais de 1 mil empresas em 12 países.

Dar oportunidade para que as mulheres possam mostrar seu trabalho é importante e incentiva, cada vez mais, outras mulheres a lutarem para conseguir seu lugar de prestígio. Representatividade inspira e motiva.

3. Treinamento e tutoria sobre igualdade de gênero

Diversas práticas machistas ainda acontecem nas empresas, muitas vezes, sem que a própria pessoa que as pratica perceba o que está fazendo. Pensando nisso, é sempre importante inserir treinamentos e tutorias sobre o tema. A seguir, exemplificamos algumas dessas práticas frequentes nas relações entre homens e mulheres que devem ser abordadas em treinamentos.

– Interromper a colega de trabalho é uma forma de machismo e tem nome: manterrupting. Repetir o que uma mulher acabou de falar, além de ser uma prática sem educação, é também uma forma de roubar uma ideia, deixando que o crédito vá todo para o homem. Esta prática é conhecida como bropriating.

– Dar explicações óbvias sobre um tema que a colega domina é outra prática a ser evitada. É conhecida como mansplaining e é uma forma de tirar a confiança e a autoridade da mulher, como se ela fosse menos capaz intelectualmente.

4. Ajudar a formar novos líderes

Líderes devem trabalhar para desenvolver novos líderes e não apenas para trazer resultados para a empresa. Faz parte da liderança o apoio e a tutoria e isso é extremamente importante para difundir uma política de igualdade em qualquer meio.

5. Dar oportunidades para mulheres atingirem cargos de liderança

O estudo The female millennial: a new era of talent, elaborado pela PwC, mostra que, apesar de terem alcançado níveis mais elevados de educação formal e de estarem mais confiantes sobre a própria capacidade profissional, as mulheres ainda ocupam menos de 5% dos cargos de CEOs no mundo.

Este tópico se atrela ao anterior, pois quem abre o caminho para que as mulheres possam atingir cargos de liderança são seus próprios líderes. Vale lembrar que nenhuma mulher deve ser diminuída por ser mulher, e nem ser colocada na posição de ter que escolher entre carreira e maternidade, por exemplo.

6. Incentivar as alunas de engenharia e promover um ambiente seguro

Promover um ambiente seguro inclui acatar denúncias de assédio e tomar providências, promover ações contra qualquer tipo de injustiça cometida contra as mulheres e dar-lhes apoio para que elas não sejam silenciadas diante de situações injustas.

Apoiar o trabalho das mulheres, valorizá-lo, e incentivar as estudantes a investir em suas boas ideias é o que fará com que tenhamos um número cada vez maior de mulheres ocupando os espaços que antes eram só dos homens.

A VDI-Brasil apoia e valoriza a inclusão e a diversidade. Faça parte do nosso cluster destinado a abordar o tema e tenha a oportunidade de trocar ideias e experiências com engenheiros e engenheiras que atuam nas mais diferentes empresas do Brasil.

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