30 de outubro de 2018

No mundo da inovação sustentável, eu só acerto se você acertar. Eu só ganho se você ganhar.

Desde início do capitalismo, no século XIII, com a modificação do setor produtivo e das relações de trabalho, a transição do feudalismo ao comercial, é dito que a visão de todo negócio é o lucro, o que, sem dúvidas, é essencial para que o negócio cresça.

Mas, de que adianta ter lucro e não ter valor? A inovação social chega como uma alternativa, uma vez que busca trazer soluções mais justas e eficientes para os desafios socioambientais. É uma forma de criar estratégias, conceitos e organizações que visem às necessidades sociais de todos os tipos, desde condições de trabalho, educação, desenvolvimento de comunidade e saúde.

Tentando esclarecer ainda mais, é uma solução mais efetiva, eficiente, sustentável e até mesmo mais justa do que as soluções existentes, uma vez que o objetivo é beneficiar a sociedade como um todo e não apenas alguns.

É a lógica do frescobol, ao invés do tênis. Enquanto em um eu obtenho prazer por meio de sua dor, no outro eu só acerto se você acerta. É um trabalho em equipe, é pensar no sucesso do próximo. É a lógica sustentável a longo prazo, a lógica de prosperidade do futuro.

A inovação social está agregada a ações privadas, governo, organizações não governamentais e sem fins lucrativos, e sociedade civil organizada. Silvio Bitencourt da Silva, diretor do SENAI/SC e professor da Universidade do Extremo Sul Catarinense, enfatiza o auxílio à diminuição de desigualdade. “No Brasil, entretanto, é no campo do empreendedorismo social que há esforços voltados para a redução das desigualdades de renda e inclusão dos menos favorecidos ou marginalizados. Há também, no Brasil, alguns Living Labs que emergem como um meio para a inovação social”.

Uma das precursoras sobre o tema da inovação social, Julie Cloutier, pesquisadora ligado ao CRISES – rede formada por universidades de Quebec, no Canadá, que são destaque no assunto, destaca a necessidade de identificar critérios para reconhecer uma inovação social: algo inovador no dado contexto, contribuintes dispostos a assumirem riscos, impactar as políticas sociais em nível nacional ou local, qualidade da parceria entre contribuintes e participação da população envolvida.

Segundo Cloutier, “de um modo geral, é insatisfatório, uma situação que provavelmente se manifestará em diversos setores da sociedade. Inovação social responde às comunidades. É definida por uma ação e mudança duradoura. Destinada a desenvolver o indivíduo, o lugar onde vive ou a empresa. Fazendo isso, a inovação social não leva a uma forma particular. É também processual, organizacional ou institucional”.

Pensando em unir dois projetos que se relacionavam com o Crowdfunding (plataforma de financiamento coletivo), 2011, Daniel Weinmann, Diego Reeberg, Luís Otávio Ribeiro e os irmãos Rodrigo e Thiago Maia, se juntam para introduzir o primeiro projeto da categoria no Brasil, o Catarse. De acordo com Luís, “a missão do projeto é dar oportunidade de boas ideias se tornarem viáveis. Buscar um destaque é deixar de lado o que a Internet tem de mais incrível: a possibilidade de todos serem destaque”.

O processo de desenvolvimento social decorrente da multiplicidade da atuação profissional e amplo envolvimento de recursos humanos dos engenheiros é profundamente mecanicista e focado na apresentação de soluções eminentemente técnicas.

O profissional deve estar apto a identificar a diversidade de variáveis que compõem o problema que se pretende solucionar, interligar as ferramentas disponíveis, criar novas, se for o caso, e direcionar os esforços, a fim de que obtenha resultados de uma coesão social, unindo desenvolvimento tecnológico como aliado, e não como premissa para sua ação.

Quer saber mais sobre o assunto? Acesse nossa revista “Engenhando a Sociedade Digital”: https://info.vdibrasil.com/revista-engenharia-brasil-alemanha-outubro-2018