No dia 28 de agosto aconteceu a primeira edição da série de webinars “Passo a passo: maturidade da Indústria 4.0 na prática”, da VDI-Brasil, com o tema “As barreiras e as soluções mais relevantes por área estrutural – Recursos”. Moderado pelo diretor executivo da Associação, Johannes Klingberg, o encontro também contou com a participação do professor e pesquisador do Instituto Mauá de Tecnologia no Laboratório de Comissioamento Virtual, Ari Costa, e do diretor de estratégia, inteligência de mercado e business development da Siemens Digital Industries no Brasil, e vice-presidente da VDI-Brasil, José Borges.

O desafio de manter uma empresa de manufatura competitiva em um ambiente cada vez mais complexo e dinâmico, passa pela necessidade de tomar decisões ágeis e inteligentes. Ao conectar pessoas, máquinas, objetos e sistemas de TIC, a Indústria 4.0 promete viabilizar o sucesso nesse cenário. No entanto, a falta de uma implementação sistêmica e equilibrada da transformação digital tem resultados aquém das expectativas.

Muitas vezes, nestes casos, as empresas falham ao focar seus investimentos apenas em tecnologias, não considerando as mudanças organizacionais e culturais necessárias para obter os resultados esperados.

Como resposta a esta tendência, o Acatech Industrie 4.0 Maturity Index foi criado em 2017 como ferramenta analítica que permite identificar em qual das quatro áreas estruturais a organização enfrenta as maiores dificuldades de transformação. Confira o artigo que fizemos sobre o tema.

Nesse sentido, a série de webinars visa apresentar, em detalhe, essas áreas estruturais da ferramenta (recursos, sistema de informações, organização e cultura) como uma preparação ao 12º Dia da Engenharia Brasil-Alemanha, que nesse ano acontece de forma virtual e gratuita nos dias 20 e 21 de outubro.

O webinar teve início com a definição de Indústria 4.0 a partir da diretriz VDI 4000. Trata-se de “uma rede inteligente que conecta em tempo real, horizontalmente e verticalmente, pessoas, máquinas, objetos e sistemas de tecnologia da informação e comunicação (TIC) para o gerenciamento dinâmico de sistemas complexos”.

Assim, de acordo com Johannes Klingberg, é necessário ter uma visão 360 da Indústria 4.0, já que as soluções não podem ser vistas de maneira isoladas, mas sim conectadas nas quatro áreas estruturais de maturidade da Indústria 4.0.

Antes de aprofundarem o tema na área de recursos, os especialistas falaram sobre a diferença entre digitalização e transformação digital.

Segundo Ari Costa, os dois primeiros passos da jornada da Indústria 4.0 estão essencialmente ligados à digitalização, ou seja, à capacidade de se adquirir dados dentro das áreas operacionais e à conectividade. E é na terceira etapa – que já pressupõe um modelo digital – que surgem os princípios básicos de 4.0, ou seja, a ligação entre o mundo físico e o virtual. “Portanto, a digitalização está em toda jornada, mas os princípios de 4.0 começam a ficar evidentes a partir da terceira etapa, quando o modelo virtual pode ser construído a partir da digitalização realizada anteriormente”, explicou o professor. “Às vezes, no mercado, o termo digitalização é uma simplificação de transformação digital. Mas a digitalização é exatamente o caminho para a transformação”, explicou José Borges.

Em sua definição, a área estrutural de recursos na Indústria 4.0 inclui, além de recursos físicos e tangíveis – como máquinas e equipamentos – ferramentas, insumos, os próprios produtos finais e os colaboradores (recursos humanos). E é importante não os confundir aqui com os recursos financeiros.

O objetivo é fazer com esses recursos físicos e tangíveis se tornem a interface entre o mundo físico e o virtual para contribuir com a redução da latência de dados e ações. Ou seja, implementar no mundo físico o que foi definido no mundo virtual.

Para medir a maturidade dos recursos são utilizados dois princípios: competência digital e comunicação estrutural.

A competência digital é implementada quando o trabalho baseado em projeções centralistas cede lugar ao trabalho baseado em dados do ambiente de processos. Trata-se da descentralização e da flexibilização no planejamento de produção.

Já a comunicação estruturada deve estar disponível para cada um na interface baseada em tarefas. Ou seja, não deve seguir um caminho até os decisores para que eles indiquem onde a informação estará. “É necessário ter um processo claro, com Lean definido e implementado. Senão, não há uma comunicação estruturada. Os processos devem estar interligados e ser a base para a transformação digital”, disse José Borges. “É a informação contextualizada, ou seja, a instrução só tem valor se vem de forma contextualizada”, complementou Johannes Klingberg.

Se você quer saber mais sobre o assunto, inscreva-se para participar do 12° Dia da Engenharia Brasil-Alemanha, em sua primeira edição virtual. Clique aqui e inscreva-se gratuitamente.