Aconteceu na tarde de ontem (20), a 14ª edição do Dia da Engenharia Brasil-Alemanha, principal evento da VDI-Brasil, realizado anualmente. Após dois anos de edições virtuais, o evento voltou ao formato presencial, reunindo mais de 200 pessoas, em São Paulo. Para esta edição, o tema definido foi “Tecnologia, Inovação & ESG”.

A abertura do encontro ficou a cargo do Presidente da VDI-Brasil, Maurício Muramoto, que destacou o retorno presencial do evento e introduziu a importância de se discutir um tema tão relevante não só para a indústria, mas também para toda a sociedade.“É muito bom revê-los pessoalmente em mais uma edição do nosso grande encontro. E para celebrar esse retorno, nós escolhemos um tema muito especial e importante, e esperamos que seja um evento muito enriquecedor para todos”, ressaltou Muramoto.

Metaverso e ESG

Iniciando as atividades do dia, Fernando Godoy, CEO da Flex e Fundador da Leuven conduziu uma palestra que abordou sobre Metaverso e ESG, em que ressaltou a evolução e crescimento da tecnologia e apresentou alguns cases envolvendo a ferramenta.

Em sua introdução, Godoy explicou o conceito por trás do metaverso e detalhou que não se trata de uma tecnologia em si, mas sim de um conjunto de ferramentas e soluções, tal como realidade aumentada, realidade virtual, blockchain, entre outras.

A resistência à adaptação do metaverso por parte de usuários e empresas também foi um assunto tratado durante a palestra. Neste cenário, Godoy classificou a internet em três diferentes níveis. O primeiro nível trata-se da popularização da internet no sentido comercial, em que as empresas começaram a criar sites e páginas para atrair mais clientes, já o segundo contempla a era da ascensão das marcas nas redes sociais. Por último, o terceiro período é o do metaverso, em que a realidade virtual e a física interagem-se e se comunicam entre si.

“Nós temos exemplos recentes de empresas e pessoas que foram céticas às novas tecnologias, deixaram de criar seus sites, não entraram nas redes sociais e depois tiveram que correr atrás para se adaptar. Com o metaverso acontece o mesmo, muitos podem pensar que não há benefícios em entrar nesse universo, mas a verdade é que as oportunidades são inúmeras” afirma Godoy.

Dando sequência, Godoy apresentou o case da Upland, o primeiro metaverso que simula o mundo real e hoje possui mais de 750 mil usuários ativos por mês e mais de 3 milhões de NFT’s vendidos. O Brasil é hoje a segunda maior comunidade do Upland, em seu lançamento no país, foram vendidos mais de 50 mil NFT’s em um período de duas horas.

“O NFT precisa trazer um benefício real para o usuário, não se trata apenas de um item digital em um universo fictício. Um dos cases da Upland no Brasil foi a criação no metaverso da sede da escola de samba Mangueira, do Rio de Janeiro. Nós fomos até a sede, conversamos com os carnavalescos e eles entenderam como aquilo agregaria valor para a escola e também para as pessoas que não têm condições de visitar o local pessoalmente. Neste case, as pessoas que compravam o NFT da Mangueira, também tinham acesso a benefícios físicos”.

Por último, Godoy encerrou tratando sobre a próxima fase do metaverso, destacando que a tecnologia caminha rumo a construção de uma economia baseada em utilidade e comunidade, suportada por marcas e propriedade intelectual.

Painel Environment

O primeiro painel do evento tratou sobre a questão ambiental do ESG. Com o tema “Environment” o painel reuniu Manuel Gonçalves, Diretor de Engenharia da Voith Hydro, José Borges, Diretor de Inovação da Siemens, Ivan Lara, Gerente Sênior de Excelência Operacional América do Sul da BASF,  Robert Madersdorfer, Diretor Industrial da LANXESS e contou com a mediação de Rodrigo Pastl, Head Brasil do Fraunhofer.

O primeiro assunto tratado na discussão discorreu sobre as iniciativas que as empresas estão tomando rumo a uma economia mais sustentável para o planeta. Neste sentido, Ivan Lara pontuou algumas ações realizadas na BASF. “Temos discutido sobre energias renováveis, substituição de combustíveis por energias renováveis e como conseguimos implementar isso em nossa cadeia de produção. Além disso, temos um programa de reciclagem que é focado na reutilização de materiais plásticos e também disponibilizamos a pegada de carbono que cada produto gera até chegar ao cliente final”.

Em complemento, José Borges apresentou as metas traçadas pela Siemens para neutralizar os impactos no meio-ambiente, trazendo a inovação como ponto-chave para esse objetivo. “Nós temos orgulho de utilizar a capacidade de inovar e gerar tecnologia com um propósito para toda a humanidade. Temos que usar as ferramentas tecnológicas para trazer respostas aos impactos negativos. Na Siemens, temos uma meta de redução zero carbono até 2030 a nível global, e 2025 no Brasil” 

Seguindo as apresentações, Robert Madersdorfer, pontuou o papel da indústria química na segurança alimentar do planeta. “Estima-se que em 2050 o mundo terá 16 bilhões de pessoas, praticamente o dobro de habitantes que temos hoje, nós temos que pensar em soluções inteligentes para criar essa base para gerar esses alimentos, e não há como fazer isso se não pensarmos em neutralizar os impactos no planeta”.

A conscientização das pessoas em relação às soluções ecologicamente corretas foi o tópico abordado por Manuel Gonçalves, que encerrou o painel trazendo um caso prático da Voith Hydro. “A situação atual do planeta nos obriga a repensar o que fazemos e o que já fizemos. Na Voith, por exemplo, nós produzimos um rotor para uma hidrelétrica nos Estados Unidos que reduziu a mortalidade dos peixes na região, que era um problema frequente. O novo equipamento produzido tinha a efetividade um pouco menor e era mais caro, no entanto, o mercado enxerga o seu valor e por isso está disposto a pagar pelo benefício”  concluiu.

Palestra Industry4Her

Continuando as atividades, a Gerente de Projetos da VDI, Júlia Bertazzi, fez a abertura da Palestra sobre o Industry4Her, contextualizando a história e importância do programa que tem como objetivo capacitar mulheres dedicadas para assumir posições de liderança na Indústria 4.0. 

Estavam presentes também o Gerente Sênior Mercedes Benz e Vice Presidente VDI, André Wulfhorst, a Vice Presidente de RH Continental e Vice Presidente VDI, Ana Claudia Oliveira, o Diretor de Inovação Corporativa da Siemens, José Borges e a convidada do Industry4Her, Rosani Alves. 

André Wulfhorst, peça fundamental para o fortalecimento do programa, ressaltou que para ele, o Industry4Her é um projeto fruto de muitas intenções e ações de incluir e capacitar mais mulheres nesse ambiente de liderança nas indústrias. Ele aproveitou para relatar também um pouco do início do programa na VDI, com a ajuda de Renate Funchs, Diretora Associada na Accenture Brasil e Vice Presidente VDI.

Rosani Alves, participante da 3ª edição do programa e posteriormente contratada pela VDI, relatou um pouco da experiência em fazer parte desse processo e logo após poder entrar para o time da VDI. Ela afirmou que “já fiz muitos cursos, mas igual esse programa eu nunca vi. Ele é completo, tem tudo o que a gente precisa”.

Em seguida, Ana Cláudia Oliveira afirmou que iniciativas como essa são necessárias para promover mudanças na sociedade e que além disso, as empresas que promovem a diversidade, estão, segundo as pesquisas, 15% superiores às demais. “É a base para atrair e reter talentos para o futuro”, explicou. 

José Borges finalizou afirmando a importância desse impacto que o programa gera na vida das mulheres e, consequentemente, na indústria, trazendo uma visão muito mais ampla e detalhada para as empresas. “É um programa maravilhoso”, finalizou. 

Painel Social

A Diretora de RH da Wika, Angela Silva, recebeu no Painel Social os convidados Durval Júnior, Gerente de Sustentabilidade na Faber Castell, Michael Bauer, Presidente na B.GROB do Brasil e Ana Claudia Oliveira, Vice Presidente de RH Continental e Vice Presidente VDI, que explicaram sobre as iniciativas sociais em suas respectivas empresas. 

Ana Claudia Oliveira iniciou falando sobre responsabilidade social nas empresas, além da importância da co-participação de empresas e colaboradores nas iniciativas, e da necessidade de se ter um ambiente de trabalho em que as pessoas queiram estar. “Na Continental nós temos uma estratégia de 5 pilares para transformar os ambientes em locais onde as pessoas queiram ficar e ajudar, que são: informar, cuidar, desenvolver, celebrar, reconhecer”, afirmou. 

Durval Junior explicou sobre os projetos de sustentabilidade na Faber Castell. “Nós definimos a alguns anos atrás o nosso objetivo, e por isso hoje temos como foco o apoio a projetos educacionais e sociais para crianças. Tendo esse foco nós temos as iniciativas que os colaboradores participam de forma voluntária, e também a parte em que investimos financeiramente nesses projetos”, explicou. 

Michael Bauer falou também sobre as iniciativas sociais da B.GROB no Brasil. “Nosso viés está muito ligado a formação técnica da população. Então, nós oferecemos para toda comunidade local, cursos de aprendizagens, juntamente com o apoio do SENAI. O curso tem duração de 2 anos, e durante esse tempo o aluno é encaminhado para o setor da nossa empresa que ele mais se destaca, promovendo assim o desenvolvimento profissional e prático dos alunos”, completou. 

No decorrer do painel os convidados detalharam mais sobre o funcionamento desses projetos nas indústrias e o impacto nas comunidades em que estão inseridas. 

Painel Governance

O último painel do evento tratou sobre o conceito de “Governance” e contou com a participação de Klaus Hepp, CEO da Vulkan, Marcelo Magdaloni, CEO da Stäubli, Roberto Weiler, CEO da SEG Automotive e a moderação de Cesar Almeida, CEO da Phoenix Contact.

Para os participantes, as empresas alemãs possuem um ponto positivo em relação ao conceito de Governança, pois costumam ter diretrizes e documentos de boas práticas bem definidos e estruturados. Sob esta ótica, Klaus Hepp ressaltou que “há um desafio para empresas que estão localizadas em diferentes partes do mundo, pois a Governança deve criar uma sintonia entre as partes, e quando se envolve equipes de diversos países com culturas distintas, a liderança tem um papel fundamental para criar essa sinergia”.

A contribuição da tecnologia para otimizar a Governança foi o tópico citado por Roberto Weiler, que exemplificou a importância das soluções na SEG Automotive. “Para empresas de médio e pequeno porte pode ser mais difícil alinhar os indicadores de Governança, pois isso exige uma estrutura com pessoas, o que é custoso e complexo. A nossa solução foi investir em digitalização, transformando muitos dos processos que eram manuais em atividades automatizadas”.

Por fim, Marcelo Magdaloni, afirmou a importância da Governança como algo que trata de futuro e por isso deve ser a base para os outros pontos presentes no ESG. “Pode parecer que Governança é o termo mais ‘chato’ do ESG, pois trata de controle, mas a verdade é que ela deve estar no DNA da empresa. Sem a Governança não há como criar diretrizes e iniciativas para o Social e o Ambiental, por isso, no fim do dia, ela deve ser o alicerce para a aplicação do ESG” finalizou.

Prêmio Engenheira do Ano 

Encerrando o evento com chave de ouro, foi realizada a tradicional entrega do Prêmio VDI-Brasil de Engenheiro(a) do Ano. Neste ano, a agraciada foi Tânia Cosentino, Presidente da Microsoft. A cerimônia de entrega foi conduzida pelo Presidente da VDI-Brasil, Mauricio Muramoto e pela Vice-Presidente, Vera Felbermayer.

O Prêmio VDI contempla engenheiros e engenheiras que contribuíram com realizações concretas para a engenharia e para a sociedade. Tânia Cosentino possui uma carreira sólida em grandes empresas como Siemens, Schneider Electric e Microsoft, empresa na qual criou o programa Women Entrepreneurship, que tem como objetivo desenvolver empreendedoras em startups de tecnologia.

“Atuando em grandes empresas eu entendi que eu tinha um papel de trabalhar por mais inclusão, especialmente de gênero, e assim comecei a desenvolver projetos nesse sentido. Através da tecnologia a engenharia deve ter como missão trazer desenvolvimento e reduzir a desigualdade. Fico muito feliz em receber este prêmio, sei que minha responsabilidade aumenta agora, mas isso serve como motivação para continuar trabalhando em prol de causas importantes” afirmou.

Na sequência, o Vice-Presidente Tesoureiro da VDI-Brasil, André Wulfhorst, realizou a cerimônia de encerramento, agradecendo a todos presentes no evento, além dos palestrantes e patrocinadores.