O fabricante de brinquedos Lego vem pesquisando há anos uma solução livre de petróleo para fabricar seus blocos de brinquedo. Até o ano 2030, a empresa declarou que pretende substituir a matéria-prima dos seus produtos por uma que seja sustentável.

Até o momento, cerca de 2% apenas, das 50 milhões de peças vendidas por ano, são de plástico vegetal. Essas peças apresentam uma textura mais macia e são feitas de um polietileno à base de óleo derivado da cana-de-açúcar. Porém, essa composição não oferece a mesma resistência das peças de plástico.

Mesmo depois de um investimento de pesquisa de 150 milhões de dólares e mais de 200 testes de material, os pesquisadores da empresa ainda não encontraram uma solução que se assemelhe ao plástico convencional em termos de durabilidade, resistência, estética e outros fatores.

O problema geral não está apenas na produção de peças a partir de matérias-primas renováveis, mas especialmente na composição química. Um plástico à base de plantas que poderia satisfazer os requisitos dos brinquedos Lego teria que ser tão rígido e durável que ele não seria naturalmente biodegradável. Assim, o ambiente dificilmente se beneficiaria dessa inovação. Por outro lado, um plástico biodegradável acabaria por se decompor e o brinquedo se deterioraria rapidamente. Até que uma solução equilibrada seja desenvolvida a empresa continua trabalhando com o material clássico.

A Lego deve, portanto, continuar buscando uma alternativa livre de petróleo. No entanto, outros fabricantes de brinquedos já abordam o tema de um ângulo diferente.

Brinquedos que utilizam matéria-prima orgânica 

  • Eckpack Service

A Eckpack Service, empresa alemã especialista em embalagens, usou sua experiência no segmento de bioplásticos e apresentou seus novos blocos de construção de brinquedo na Feira de Brinquedos de Nuremberg, na Alemanha, em 2016.

As peças são semelhantes às da fabricante mundialmente conhecida Lego e consiste em materiais naturais 100% puros. A produção é realizada na Alemanha sob rígidas diretrizes de qualidade. Além disso, os blocos podem ser combinados com qualquer bloco de construção convencional. Assim, eles podem ser usados ​​com os brinquedos já existentes. O material de milho e açúcar, chamado “Arboblend”, só pode ser decomposto em condições industriais de compostagem. Ele é resistente o suficiente para fazer as peças duráveis. A limpeza é fácil porque as peças suportam a água até 60 graus Celsius e podem até ser lavadas em máquinas de lavar louças sem quaisquer aditivos de enxague.

  • BioFactur

Outra empresa, também alemã, que investe em matéria-prima orgânica é a BioFactur. Os seus produtos, como blocos de construção de brinquedo, jarras e outros recipientes plásticos são produzidos com celulosa de fibra longa e grânulos de algodão. Além disso, são resistentes à umidade e neutros em CO2.

Como utensílios de cozinha e brinquedos reutilizáveis, são tão fáceis de limpar quanto os produtos plásticos convencionais.

  • Bioblo

Com uma abordagem diferente da LEGO, a empresa austríaca Bioblo busca se consolidar no mercado. Em parceria com educadores, eles desenvolveram um jogo que consiste em utilizar várias peças de plástico ecológico para estimular a imaginação de crianças.

O bloco de 12 cm de comprimento, 2,4 cm de largura e 0,8 cm de altura consiste em 60% de fibras de madeira e é enriquecido com plástico reciclado. O interior da peça é parecido com um favo de mel, o que torna a pedra extremamente leve, mas estável. Disponíveis em diversas cores, os blocos de construção podem ser usados ​​para jogos de construção ou educativos, para explicar conceitos matemáticos simples. 

Já a empresa alemã, Loick Biowertstoff GmbH segue uma estratégia completamente diferente. Totalmente degradável, não tóxico e deformável em todas as direções, assim é produzido o Playmais. Trata-se de um estilo de quebra-cabeça que é composto por flocos de milho, corantes alimentares e flocos à base de água, que são umedecidos e colados uns aos outros, formando uma imagem. Eles são montados a partir de mapas desenhados e se tornam figuras em alto relevo quando finalizados.

O fabricante garante uma cadeia de produção nacional e as diretrizes de qualidade associadas. Além disso, há uma variedade de produtos, desde cartões de mosaico simples até mundos temáticos inteiros com suporte de papelão e instruções. Todo o processo de produção é projetado para consistência e sustentabilidade. Isto começa com os locais de produção, que estão localizados perto das áreas cultivadas, sobre o uso adicional dos remanescentes, na usina interna de biogás até o emprego como fertilizante.

Impactos do plástico convencional

Um acidente ocorrido em 1997, na praia da Cornualha na Inglaterra, ilustra um pouco dos impactos causados pelo plástico convencional. Um navio despejou cerca de 4,8 milhões de peças de LEGO no mar. Desde então, mais de 20 anos se passaram e as peças ainda estão sendo levadas para à praia. Assim não só causam ferimentos imprevisíveis aos visitantes, como sendo consumidos por animais e ferindo-os. As consequências, como qualquer outro tipo de plástico, são devastadoras. Isso não aconteceria com materiais biodegradáveis.

Hoje, as empresas estão cada vez mais engajadas e com consciência sobre o uso de materiais biodegradáveis, pensando justamente em diminuir os impactos na natureza, o que pode ser comprovado com todos os exemplos acima citados, com empresas revolucionando o mercado de brinquedos com ideias inovadoras e sustentáveis.

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