As fazendas inteligentes vão ser capazes de introduzir uma nova realidade ao agronegócio

Para se ter uma ideia de como esse mercado vem crescendo, segundo o professor da USP, Rafael Vieira de Sousa, durante Campo em Debate – O Futuro do Agronegócio, falou que em 2050, o mundo terá 9 bilhões de robôs, mesmo número de habitantes projetado para o planeta. Boa parte deles estará a serviços do agronegócio, setor que hoje responde por 25% do PIB do País, 45% das exportações e 35% dos empregos. Os equipamentos, cita ele, se valerão cada vez mais da chamada “tecnologia on the go”, que analisa o solo e, com base nesses resultados, adota medidas para intervir de forma a maximizar resultados.

Sem dúvidas, o avanço na Internet, no compartilhamento de dados e de sistemas de Big Data, que permitem uma interface com todas as informações e atividades das propriedades rurais, vão qualificar e elevar a um patamar ainda maior a produtividade no campo. Além disso, o uso de tecnologias também contribui para a redução de custos, gerando mais lucro.

Segundo um estudo realizado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos – USDA, o Brasil terá condições de exportar, ao todo, considerando os valores praticados atualmente, R$ 1,2 trilhão em produtos agrícolas. Para dar conta, os agricultores vão precisar ter um controle severo dos custos. Gasto menor propicia mais margem. Em 2017, as exportações brasileiras chegaram a R$ 96 bilhões.

É fato que grande parte das tecnologias do mercado agrícola são desenvolvidas no exterior, mas o Brasil tem avançado na criação de produtos que atendam às necessidades brasileiras, como solo, maneira de pensar e necessidades locais.

A tecnologia pode contribuir de maneira bastante efetiva para o setor. Um drone pode captar diversos aspectos da imagem de uma só vez, gerando informações e dados para a nuvem. O mapeamento aéreo possibilita estudos para melhor aproveitamento do solo.

A agricultura de precisão transmite informações que resultam no monitoramento de velocidade, semeadura, distanciamento exato da plantação, sensores de umidade e controladores de precisão que otimizam a irrigação, verificação de área utilizada, estado de solo, utilização de agrotóxicos e sua devida efetividade, visando sempre o melhor aproveitamento do cultivo.

O ciclo de produção agrícola pode ser viabilizado com os softwares de gestão, gerando pequenos detalhes a funções específicas, como administrar os estoques de sementes e insumos, meteorologia inteligente – que são grandes aliadas na produção agrícola devido às mudanças climáticas atuais­­­ –, com estações instaladas no local, é possível medir fatores de radiação solar, direção dos ventos, além da previsão precisa, sendo possível saber quando e quanto haverá chuva, podendo calcular a produção e planejando o investimento para momentos atribulados. São os processos agrícolas sendo transformados em sensores geradores de dados otimizando as decisões.

A análise do solo, obtendo resultados sobre a química presente, pode gerar menos custo por hectare ao produtor, auxiliando na fertilização e, assim, evitando o risco de algumas doenças transmitidas por solo.

As fazendas inteligentes são mais do que tratamento para solos, a zootecnia de precisão vem sendo implementada cada vez mais e inserida em propriedades produtoras de carne.

Daniella Jorge de Moura, diretora da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri), destaca em entrevista ao Globo Rural que “a fazenda inteligente já é uma realidade no continente europeu e esse conceito está cada vez mais presente no Brasil. Aplicar as diretrizes da zootecnia de precisão na produção animal brasileira pode agregar valor ao produto nacional”.

Para Daniella, a aplicação das diretrizes na produção animal agrega valor, tornando o sistema de produção de proteína animal mais eficiente e competitivo.

O monitoramento do animal, feito durante 24 horas por dia, é dado ao fazendeiro a cada segundo, com obtenção de respostas por câmeras, microfones e sensores, em relação ao comportamento do animal, abrangendo desde a nutrição, condução, bem-estar, até a simulação de retorno.

A integração de aplicativos de IoT inovadores na agricultura, manufatura, varejo, cadeia de suprimento e logística pode não apenas criar um ecossistema, mas até monetizá-los, oferecendo-os como plataformas para parceiros de aplicativos adicionais, havendo crescimento inteligente dos dados subjacentes a cada dia, em toda a operação agrícola.

Com o avanço, as fazendas inteligentes ganharam mais espaço em países como Alemanha, Argentina, Austrália, Inglaterra e, aos poucos, começa a se tornar uma realidade no Brasil.

Sem dúvidas, ainda há de vir muita inovação e tecnologia para esse campo.

Acompanhe a interação sobre o assunto com propriedade durante o Dia da Engenharia Brasil – Alemanha: Engenhando a Sociedade Digital, que contará com renomados palestrantes na área: Fernando Martins, Bernhard Kiep e Luciano Loman.

Acesse: http://www.vdibrasil.com/eventos/dia-da-engenharia-2018/